Portugal deve pedir desculpa pela escravatura, segundo historiadores dos EUA

"Grandes pessoas pedem desculpas e tornam-se melhores pessoas. Grandes países cometeram atrocidades. Grandes países pedem desculpa. Quando os seus líderes tomam essa ação, elevam os seus países", diz o historiador Walter Hawthorne.

Portugal deveria pedir desculpa pelo papel que teve no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade nacional, segundo defenderam especialistas norte-americanos, em entrevista à agência Lusa.

“Um pedido de desculpas deve focar-se numa ação, com reconhecimento das consequências, e terminar com uma ação corretiva”, como a criação de um museu ou um centro de investigação, afirmou o historiador e autor de livros como “From Africa to Brazil: Culture, Identity, and an Atlantic Slave Trade 1600-1830”, Walter Hawthorne.

“Grandes pessoas pedem desculpas e tornam-se melhores pessoas. Grandes países cometeram atrocidades. Grandes países pedem desculpa. Quando os seus líderes tomam essa ação, elevam os seus países”, disse, referindo que o pedido poderia não ajudar os africanos que foram vítimas de escravatura, mas seria “um passo em frente para melhorar a relação hoje em dia entre pessoas com cores diferentes”.

“O facto de que vários países decidiram que era importante fazê-lo sugere uma nova norma que merece reflexão. Do meu ponto de vista, um reconhecimento do passado contribui para um sentimento coletivo de reconhecimento de desumanidades do passado”, acrescentou.

O professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Christopher Brown, defendeu também que “o apoio do estado para estas iniciativas pode galvanizar a investigação e ajudar a informar melhor o público”, em declarações à Lusa.

O investigador acredita que quando um líder político fala sobre estes temas “leva a história a uma audiência muito mais ampla do que os académicos alguma vez conseguiriam e desperta a curiosidade de todos aqueles que nem tinham pensado sobre isso antes”. “Por isso, sim, a liderança política pode fazer uma grande diferença, sobretudo se acompanhada por um apoio do estado para melhorar o conhecimento e compreensão sobre o tema”, concluiu.



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