Popular: BCE pede investigação aos levantamentos por parte dos municípios e regiões autónomas

"É uma questão para a justiça espanhola e talvez autoridades do mercado de capitais investigar e tomar medidas, se necessário", disse a presidente do SSM perante a suspeita de informação privilegiada. O Ministro da Economia, Luís de Guindos, disse na segunda-feira, que "há regiões autónomas e municípios que retiraram grandes somas de depósitos" do Banco Popular.

Terá havido acesso a informação privilegiada no Popular? O BCE pediu para se investigar a retirada de depósitos por parte das CCAA (comunidades autónomas) e dos municípios.

A presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Danièle Nouy que defendeu a declaração de inviabilidade do Banco Popular, desafiou Espanha a investigar a fuga de depósitos uns dias antes da resolução com venda ao Santander, sobretudo feita pelas CCAA e municípios, pois há suspeita de acesso a informação privilegiada, avança o El Economista.

Investigar a retirada de dinheiro em massa
“Não está em meu poder, eu não posso estar envolvida nisso, mas há certamente espaço para os tribunais espanhóis investigarem esses movimentos (levantamentos de numerário por parte de municípios e regiões autónomas) para ver se a informação privilegiada ajudou algumas entidades a tentarem proteger-se melhor do que os pequenos depositantes “, disse à Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento, Danièle Nouy.

“É uma questão para a justiça espanhola e talvez autoridades do mercado de capitais investigar e tomar medidas, se necessário”, acrescentou a presidente do Single Supervisory Mechanism.

O Ministro da Economia, Indústria e Competitividade, Luís de Guindos, disse na segunda-feira, durante a sua presença no Comité Económico do Congresso, que “há regiões autónomas e municípios que retiraram grandes somas de depósitos” do Banco Popular.

Em qualquer caso, Nouy lembrou que, após a intervenção da Popular e sua posterior venda ao Banco Santander, nenhum depositante perdeu dinheiro e “todo mundo foi protegido” a menos que “os pequenos depositantes ou clientes do retalho tivessem ações do banco”, disse.

“Acredito que passámos no teste do supervisor europeu e, na categoria de decisões dolorosas, esta foi um sucesso”, disse Nouy na Comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, questionada sobre o papel da instituição que preside na intervenção do banco espanhol.

O Conselho de Supervisão, que supervisiona os principais bancos europeus desde a criação da União Bancária, foi encarregado de declarar inviável ou em vias de inviabilidade o Banco Popular, o que provocou a decisão do Conselho de Resolução Europeu de aplicar uma medida de resolução com venda simultânea ao Banco Santander.

Segundo soube o Jornal Económico a fuga de depósitos forçou a uma medida de resolução na 25º hora, pois o banco na quinta-feira já não abria (a Resolução e venda ao Santander foi feita na quarta-feira).

A francesa responsável pelo Conselho de Supervisão do BCE apontou responsabilidades à gestão do banco espanhol. “Às vezes um banco tem que desaparecer porque a gestão não tomou as decisões corretas quando deveria fazê-lo”, disse para defender a medida de resolução aplicada ao sexto maior banco espanhol.

A entidade que gere a supervisão bancária europeia estava ciente dos problemas do Banco Popular e Nouy lembra que os testes de stress conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) em 2016 revelaram que o banco “foi o terceiro pior” no exercício à banca europeia.

Danièle Nouy também explicou que “o quebra do capital era bastante forte”, 6 pontos base no cenário adverso. “Nesse sentido, lembrou que o supervisor não participa na concepção destes testes de stress, que medem a força do sistema bancário em cenários normais e em cenários de crise, embora reconheça que estes testes possam não ser muito “completos” no caso espanhol, porque a realidade em Espanha é mais adversa do que em outros países.

Nouy disse ainda que era “razoável pensar que o pior (da crise) tinha ficado para trás” em Espanha.

O supervisor, lembrou, fez “muitas a inspecções no local (in situ)” ao banco e forçou a “milhares e milhares de euros em provisões adicionais”.

O presidente da comissão parlamentar, o eurodeputado socialista italiano Roberto Gualtieri, considerou, no entanto, que a resolução do Popular não é “uma história de sucesso” para o mecanismo único de supervisão e pediu a Nouy que assumisse “que houve deficiências no processo”.

 

 

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