Polícia volta a ouvir Benjamin Netanyahu num caso de corrupção

São numerosos os casos de corrupção que ‘passam’ na órbita do primeiro-ministro israelita. Em investigação estão pelo menos cinco casos. Devidamente numerados.

Ronen Zvulun /Reuters

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, foi esta semana interrogado em sua casa a propósito da sua eventual participação no chamado ‘caso 4000’. Os investigadores do caso suspeitam que Netanyahu, que foiera ministro das Comunicações entre 2014 e 2017 (acumulando com o lugar de primeiro-ministro), interveio junto dos reguladores para ajudar o grupo Bezeq, é controlado por Shaul Elovitch, amigo de longa data do chefe do executivo israelita.

Em troca, alega a investigação, Elovitch ordenou que o site noticioso Walle, do grupo Bezeq, fornecesse uma cobertura favorável do primeiro-ministro e da sua mulher, Sara. As investigações são sustentadas numa testemunha, Nir Hefetz, ex-confidente do responsável do grupo, que entregou à polícia evidências incriminatórias em forma de gravações.

A polícia também quis saber junto de Netanyahu se era verdade que Sara Netanyahu enviara mensagens a Iris Elovitch, mulher de Shaul Elovitch, nas quais pediu que a cobertura do caso fosse alterada.

Em 2015, Netanyahu, na qualidade de ministro das Comunicações, aprovou a fusão entre a corporação de telecomunicações Bezeq e a empresa de televisão por satélite Yes. Elovitch ter-se-á gabado publicamente de que a cobertura favorável a Netanyahu no site do grupo ajudou o primeiro-ministro a vencer as eleições daquele ano.

Durante esta quinta-feira, a polícia planeia questionar dois suspeitos no Caso 2000, que Case 2000” envolve uma suposta troca de favores entre Netanyahu e o publisher do jornal Yedioth Ahronoth, Arnon Mozes. A investigação suspeita de que o primeiro-ministro pretendia enfraquecer um concorrente de Mozes, o Israel Hayom, em troca de uma cobertura mediática mais favorável.

Já o Caso 1000, mais antigo, indicia que o primeiro-ministro e a mulher terão recebido prendas de luxo no valor de milhares de dólares em troca de favores políticos, sendo que um dos corruptores terá sido o produtor de Hollywood Arnon Milcham, nascido em Israel.

 

O caso 3000, muitas vezes referido como o ‘caso submarino’, parece ser o escândalo mais explosivo, envolvendo Netanyahu e a ThyssenKrupp. A construtora alemã foi representada em Israel por Michael Ganor, suspeito de ter subornado altos-funcionários do Ministério da Defesa para promoverem um acordo de vários milhões de dólares na compra de navios e submarinos. O ex-chefe de gabinete de Benjamin Netanyahu, David Sharan, foi preso por suspeita de aceitar subornos neste caso particular.

Os casos em que o primeiro-ministro é investigado – envolvendo normalmente corrupção e favorecimento têm vindo a repetir-se há vários anos. Analistas citados por um dos principais jornais de Israel, o ‘Haaretz’, avançam que um dos fatores que explicam a permanência do atual primeiro-ministro no cargo é quem, no exterior, as suspeitas que sobre ele caem são largamente desconhecidas.






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