Inteligência artificial: Pode um robô ser presidente?

Alguns cientistas acreditam que a inteligência artificial pode tomar melhores decisões do que o líder de um país: um robô não pode ser comprado por lobistas nem será influenciado pelo dinheiro ou incentivos pessoais.

Donat Sorokin / TASS
O presidente norte-americano, Donald Trump, passa as noites sozinho na Casa Branca a ver as notícias de todo o mundo. Do tempo em que era empresário herdou ainda o hábito de se levantar de madrugada para escrever no Twitter onde publica o que lhe vai na alma – o vídeo em que aparece a bater num homem com o logotipo do canal televisivo CNN foi um dos mais recentes.
Agora, de acordo com a “Politico Magazine”, um pequeno grupo de cientistas e pensadores acredita que pode haver uma alternativa de salvar o presidente – e o resto da humanidade- destes ataques de raiva. Assim que a tecnologia avançar o suficiente, eles acreditam que se deve colocar um computador a cargo do país. O objetivo é que seja a inteligência artificial a tomar as decisões mais complicadas. Pode fazê-lo “melhor e sem o drama dos nossos presidentes humanos”, avisam.
No entanto, se imagina uma máquina do estilo “Terminator” está enganado. A máquina estaria guardada num qualquer armário na Casa Branca. Para estes cientistas, um robô pode levar em conta grandes quantidades de dados sobre uma determinada política. Poderia ainda prever armadilhas que escapassem à mente humana e pensar as opções de forma mais fiável, sem impulsos ou tendências individuais.
Mark Waser, um especialista em Inteligência Artificial, afirma que os robôs tomarão melhores decisões do que os humanos. Natasha Vita-More, presidente de uma organização sem fins lucrativos, “defende o uso ético da tecnologia para expandir as capacidades humanas” e espera que seja possível ter um líder que não possui um corpo humano.
Também o empreendedor Zoltan Istvan afirma que com a inteligência artificial “um presidente não pode ser comprado por lobistas nem será influenciado pelo dinheiro, incentivos pessoais ou incentivos familiares”.
Esta é uma ideia que tem feito parte da ficção científica desde a década de 50. Já o escritor Isaac Asimov imaginava um mundo em que as máquinas pareciam ter consciência e inteligência humana. Claro que substituir um humano por um robô na Casa Branca não seria simples. Como é que uma máquina se encaixaria num sistema democrático? E como decidiria sobre questões morais? Segundo Istvan os eleitores deveriam ser chamados a pronunciar-se sobre a programação inicial do sistema e os programadores também deveriam ser nomeados por voto popular.
Alguns cientistas mantêm mesmo a convicção de que um robôt pode liderar uma nação no espaço de 30 anos, o que obrigaria a alterações na Constituição. No entanto, nem todos estão de acordo com este pensamento. “Os sistemas tecnológicos não são livres de preconceitos nem automaticamente justos apenas porque são números”, diz Madeleine Clare Elish, uma antropóloga na Universidade de Columbia. “O meu maior medo é que a tecnologia possa codificar os preconceitos e defeitos dos seus criadores”, alerta.


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