PIB cresce até 1,3% à boleia do consumo

INE divulga na próxima semana o crescimento do PIB no conjunto do ano passado. Economia acelerou no último trimestre e estimativa do Orçamento do Estado para 2017 pode ser superada.

Os sinais de que a economia portuguesa acelerou na reta final do ano passado estão prestes a ser confirmados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que divulga na próxima semana a evolução das contas nacionais no quarto trimestre e no acumulado do ano. As estimativas solicitadas pelo Jornal Económico indicam que o PIB deverá ter crescido entre 1,2% e 1,3% em 2016, com um maior contributo do consumo das famílias.

Os últimos trimestres tendem a revelar um dinamismo acrescido da atividade económica. Com o pagamento do subsídio de Natal e as compras da época festiva, os gastos dos consumidores aumentam e as empresas têm mais receitas.

Este ano não terá sido exceção e, com a devolução de rendimentos iniciada no ano passado – a sobretaxa de IRS foi aliviada e os vencimentos dos funcionários públicos foram devolvidos de forma faseada –, o impacto destes gastos na economia terá sido superior. Com o desempenho das exportações, a taxa de crescimento anual do PIB pode até ficar acima dos 1,2% estimados pelo Governo no Orçamento do Estado apresentado em outubro.

A economista-chefe do BPI, Paula Gonçalves Carvalho, antecipa que o PIB tenha crescido 1,3% no conjunto do ano e, em termos trimestrais, antecipa uma aceleração face ao terceiro trimestre. O crescimento do quarto período terá sido de 1,8%, depois de 1,6% nos três meses anteriores.

“Os principais suportes ao crescimento serão o consumo das famílias e as exportações, que deverão gerar os maiores contributos para o crescimento homólogo”, justifica a economista, para quem o desempenho no consumo privado “encontra sustentação na política de devolução de rendimentos e na melhoria do mercado de trabalho, que tem gerado emprego de forma sustentada”. Por outro lado, explica, a taxa de inflação reduzida “também fortalece o poder aquisitivo das famílias”.

Quanto às exportações, o desempenho está relacionado com a “excelente” performance do setor do turismo e a diluição do efeito do encerramento da refinaria da Galp nos primeiros meses do ano e retoma gradual das exportações de combustíveis refinados.

O INE revelou ontem que as exportações de bens aumentaram 0,9% no conjunto do ano passado e que as importações de bens cresceram 1,2%. Este desempenho representa uma desaceleração face ao ano anterior, mas terá ainda de ser somado às exportações de serviços, cujos valores finais ainda não são conhecidos. Como o turismo tem aqui um papel a desempenhar, haverá um contributo relevante para o crescimento do PIB.

Segundo Paula Gonçalves Carvalho, houve um melhor comportamento das exportações para economias emergentes relevantes para Portugal, com destaque para Angola, cujas exportações tendem para a estabilização.

Investimento recua
O economista-chefe do Montepio, Rui Bernardes Serra, mantém uma previsão de crescimento anual de 1,2%, mas identifica “alguns riscos ascendentes”. “A economia deverá ter voltado a ser suportada sobretudo pela procura interna”, indica.
As estimativas do Montepio apontam para um crescimento de 2,1% no consumo privado e de 0,7% no consumo público.
O grande percalço da economia terá sido o investimento, que terá recuado no conjunto do ano passado. A Formação Bruta de Capital Fixo terá contraído 1,7%, “depois de ter crescido uns robustos 4,5% em 2015”. Segundo as previsões do Montepio, as exportações líquidas (subtraídas das importações) deverão ter apresentado um contributo “ligeiramente positivo” para o crescimento do PIB.

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