PGR investiga “tráfico de influências”. Ulisses Correia e Silva mantém confiança no vice-primeiro-ministro

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, disse não haver motivos para demitir o vice-primeiro ministro, como sugerira o PAICV, principal partido da oposição, por causa de um suposto “tráfico de influência” no agravamento das taxas alfandegárias de lacticínios e sumos a favor da empresa cabo-verdiana Tecnicil.

A Procuradoria geral da República já confirmou a abertura de um inquérito para averiguar se o vice-primeiro-ministro de Cabo verde, Olavo Correia, cometeu crime de “tráfico de influências” no aumento das taxas aduaneiras para leites e sujos de fruta para poder beneficiar a empresa cabo-verdiana Tecnicil, onde tem 5% das acções (passara outros 5% à sua companheira), que acaba de lançar esses produtos no mercado.
O caso está a dividir o país, com a principal força de oposição, o PAICV, a vir a público pedir a demissão do vice-primeiro ministro, Olavo Correia, que acumula anda o cargo de ministro das Finanças. Só que o primeiro-ministro, Ulisses correia e Silva, quebrou o silêncio nesta matéria para manifestar confiança em Olavo Correia.
“Que tirem o cavalinho da chuva, que isso não vai acontecer. A oposição não é responsável pela composição do Governo e não vamos dar respostas, uma vez que pretendem desestabilizar o Governo” disse, o chefe do Executivo cabo-verdiano, afirmando de seguida que o vice-primeiro ministro vai continuar no Governo. A afirmação foi feita depois de receber em audiência o presidente da Assembleia da República de Portugal, Ferro Rodrigues, que esteve de visita oficial a Cabo Verde durante dois dias.
Para o primeiro-ministro, Olavo Correia não violou nenhuma lei para favorecer uma empresa na qual for gestor, mas afirmou que existe uma ligação maldosa no sentido de provocar essa relação de causa efeito entre a lei e a pessoa.
“Eu não tenho de falar em função daquilo que a oposição quer. O que tenho a dizer é que se trata de uma cabala política claramente motivada por uma lei que foi aprovada pelo parlamento, com os votos do PAICV e há toda uma encenação à volta deste tema, no sentido de incriminar um ministro e membro do Governo, com objectivos políticos partidários muito claros”, sublinhou.
Na origem do pedido de demissão de Olavo Correia, suscitado pelo PAICV, está a informação de que o vice-primeiro ministro declarou ao Tribunal Constitucional, desde 2016, que é accionista do grupo Tecnicil, principal beneficiado, até ao momento, do aumento das taxas de importação de leite, que entrou em vigor em Janeiro deste ano.
Na ocasião, o maior partido da oposição PAICV, através do seu deputado José Sanches, acusou o ministro das Finanças de “falta de ética ao fazer “negócios obscuros” do seu Ministério com uma empresa na qual tem uma participação de 10 %”.
Para o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), António Monteiro, que foi contra a aprovação dessa lei, se realmente houve uma ‘colher de chá’ para a empresa na qual o ministro tem uma participação de 10 %, “a lei deve funcionar e a justiça deve ser dura”.
Entretanto, a deputada do MpD, partido que sustenta o Governo, Filomena Gonçalves, veio em defesa de Olavo Correia, afirmando que o seu partido tem toda a confiança no ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro que, na sua opinião, “é competente, sério, transparente” e “não faz da política uma profissão”. A deputada desafiou o PAICV a provar se a lei foi violada e a avançar para as instâncias “próprias para fazer as denúncias e deixar a justiça trabalhar”.





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