“Pensei que era um filme com o Tom Cruise”: Portugueses confundiram atentado em Paris com filmagens

Recente ataque induziu em erro alguns portugueses residentes na cidade, levando-os a acreditar que a presença em massa das autoridades policiais estava relacionada com a rodagem da nova sequela de "Missão Impossível".

Christian Hartmann / Reuters

Perante o cenário (de terror) em que um helicóptero sobrevoava os Campos Elísios, local onde há dois dias tinham estado em filmagens, o porteiro português Frederico Oliveira, que vive a cerca de 150 metros da avenida, explicou à Lusa que pensou ser uma continuidade das gravações da sequela do filme de Tom Cruise.

“Fui lá perguntar o que se passava e eles não me disseram diretamente mas que era qualquer coisa de grave, que era para a gente não ir em direção aos Campos Elísios”, disse.

Quando questionado, o porteiro respondeu que não teve medo, uma vez que não foi atingido “diretamente”, mas que devido aos atentados que têm surgido em Paris, já ponderou voltar a Portugal.

Lídia Ramos, também residente em Paris, acreditou tratarem-se de filmagens, mas a presença da polícia, bombeiros e jornalistas levaram-na a entender que algo de muito grave estava realmente a acontecer.

“O meu homem disse que o helicóptero era porque o Tom Cruise estava a rodar um filme. E foi aí que vi muita polícia sempre a subir, sempre a subir pelos Campos Elísios”, contou a porteira que vive perto da avenida, afirmando que “isto mete medo”, disse à Lusa.

Ainda uma terceira testemunha portuguesa, Aline Pereira, residente em Paris há 10 anos, a poucas centenas de metros da avenida, admitiu sentir-se “um bocado assustada” com o incidente, explicando que, “durante uma boa hora, estiveram sempre carros praticamente da polícia a passar” e  que o helicóptero continuou “a sobrevoar a zona”.

Por fim, Mónica Pereira, também se deu conta do aparato policial, do helicóptero que rondava aquela zona e do pânico das pessoas. “Quando fui lá fora os comerciantes estavam a dizer que a polícia estava a dizer para ninguém sair à rua”, relatou a portuguesa de 39 anos que vive há quatro em Paris, à Lusa.

Na sequência do disparo contra um veículo policial, que ocorreu dias antes das eleições presidenciais, foram registados uma morte e dois ferimentos graves. O atacante, autor do disparo, acabou por ser abatido por outros agentes policiais.

O caso está em investigação pela secção antiterrorista da procuradoria de Paris, assegurou o presidente francês, François Hollande, que convocou esta sexta-feira pela manhã, um Conselho de Segurança.

Entretanto, o grupo extremista Islâmico (EI) reivindicou o ataque, através de uma nota divulgada pela a Amaq, órgão de propaganda do EI, conclui a Lusa.



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