Paulo Macedo: “Nunca houve tanto dinheiro à ordem em Portugal”

"A CGD tem de descer o cost-to-income de 82% para 45% em 2020. Esse é o compromisso com Bruxelas, mas a CGD quando aumenta o income (receitas, através das comissões), é criticada e quando corta custos (pessoas e balcões) é criticada, diz Macedo que conclui dizendo que é preciso fazer a quadratura do círculo.

Foto: Cristina Bernardo

A administração de Paulo Macedo na CGD faz 100 dias depois de amanhã. Esse foi o facto mais destacado pelo presidente executivo da CGD que está a convite do ISEG num jantar debate da associação dos antigos alunos da universidade (Alumni Economicas) a falar sobre “Poupança e Investimento em Portugal. O papel da banca”.

À entrada o presidente da CGD foi questionado pela contestação em Almeida ao encerramento do balcão naquele concelho, e limitou-se a dizer que a Caixa continua a ser o banco com maior rede de balcões no país e mais espalhado geograficamente. “O banco está em todos os concelhos”, disse. O fecho da agência de Almeida faz parte do plano da CGD para encerrar 61 agências por todo o país, mas levantou contestações na população e tornou-se num tema mediático.

Paulo Macedo é antigo aluno do ISEG. A apresentação esteve a cargo de Henrique Monteiro, jornalista do Expresso, também ex-aluno do ISEG.

“A poupança tem vindo a decrescer”, começou por dizer o CEO da CGD, num jantar que contou com a presença do presidente do Novo Banco, António Ramalho, e de Miguel Horta e Costa, ex-administrador do BESI e ex-presidente da PT.

“As projeções demográficas reforçam a necessidade de aumentar os níveis de poupança a longo prazo”, disse Paulo Macedo.

O CEO da CGD defende que no caso das empresas estas devem balancear os capitais próprios e alheios como uma das formas de inverter a curva da poupança.

O Estado deve tomar iniciativas de promoção da poupança, e surge aqui a questão da fiscalidade. Deixando em aberto a questão da eficácia dos incentivos fiscais na poupança. “Os benefícios fiscais devem ser muito selectivos e muito moderados”, defende.

O tema oscila sempre entre o benefício ao rendimento e o benefício à poupança ou investimento  (benefício ao produto ou ao instrumento). Paulo Macedo defende o benefício ao instrumento e não ao rendimento.

“Nunca houve tanto dinheiro à ordem em Portugal”, disse o CEO da CGD. Mas os juros estão baixos e por isso nunca houve tanta apetência por yields como agora, disse o banqueiro. “Pelo que se torna necessário aumentar a percepção dos riscos e das certezas”, diz Macedo. O risco corresponde a uma necessidade de proteção, explica Paulo Macedo que defende a existência de produtos de poupança (seguros).

Para os portugueses a proteção das poupanças continua a ser o papel primordial dos bancos, refere. O Estado tem poupanças negativas, as empresas têm aumentado as poupanças  (a cobrir o investimento, as curvas encontraram-se) e nos particulares tem vindo a cair o nível de poupança, refere Macedo.

“As pessoas valorizam a confiança”, diz o presidente da CGD. “Todos os bancos querem aumentar o crédito mas essa não é uma tarefa fácil”, disse ainda durante a sua apresentação.

O baixo nível de investimento travou o crescimento potencial da economia, disse Paulo Macedo que lembrou que no entanto o investimento privado tem vindo crescer.

Relativamente às oportunidades de investimento, “Os setores da construção e actividades imobiliárias, absorveram 78% dos fluxos de crédito e 26% do capital fixo”, revelou Macedo.

O investimento o que é que precisa? Uma das condicionantes é o risco, explica. O que mudou no papel da banca?  As famílias com forte poupança que estão aplicadas em ativos com potencial de valorização. Esse foi um dos fatores de mudança apontados por Paulo Macedo (entre outros).

Por outro lado o presidente da Caixa disse que “ninguém pode ter operações no estrangeiro se não tiver capital”, disse para reforçar a importância do capital.

No caso da CGD, especificamente, Paulo Macedo disse que o banco tem de aumentar comissões, aumentar a margem, reduzir os custos com pessoal e custos de estrutura, mas a CGD tem obstáculos, pois toda a gente concorda desde que não afete as pessoas.

A CGD  tem de descer o cost-to -income de 82% para 45% em 2020. Esse é o compromisso com Bruxelas, “mas a CGD quando aumenta o income (através das comissões) é criticada e quando corta custos (pessoas e balcões) é criticada”, diz Macedo que conclui dizendo que é preciso fazer a quadratura do círculo.

Paulo Macedo terminou mostrando exemplos de agências bancárias móveis, como já têm o Bankia e o Abanca, ambos espanhóis, numa clara alusão ao caso da contestação popular da população em Almeida, depois do anúncio do encerramento do balcão nesse concelho. A existência de um balcão móvel nessa localidade é uma solução em estudo para Almeida.

O presidente da Caixa revelou antes que o Banco de Portugal lhe comunicou na segunda-feira que está a acelerar a aprovação do serviço móvel de balcões, feito com carrinhas, desenhado pelo banco.

“Ontem [segunda-feira], o Banco de Portugal transmitiu-nos que está a acelerar o serviço móvel de balcões”, avançou.



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