Paulo Macedo: “Necessidade de capitalização da Caixa não vem só das imparidades”

Presidente-executivo do banco público afirmou na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa que "a Caixa não apresenta capital a mais. Tem diversos fatores de risco que têm impacto neste banco, como nos outros".

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, foi hoje à Assembleia da República numa audição da Comissão de Orçamento Finanças Modernização Administrativa (COFMA) esclarecer os prejuízos do banco público.

O atual presidente do banco público explica que a capitalização tinha como propósito a revisão dos ativos problemáticos e que teria de acontecer independentemente das imparidades.

“Entre 2012 e 2016/2017, as exigências de capital aumentaram 3 pontos percentuais, são 1.600 milhões de euros em capital. Mesmo sem imparidades, a Caixa teria de aumentar o capital nessa medida”, esclarece o presidente, salientando que tais necessidades não têm que ver apenas com crédito malparado e imparidades.

Por outro lado, “não pode ser ignorado que a Caixa teve prejuízos nos últimos seis anos”, disse.

“A Caixa, ao contrário de um banco privado, não pode ir ao mercado reforçar capital”, disse Paulo Macedo, lembrando que o acionista único é o Estado e há regras para as ajudas de Estado. A única hipótese é gerar capital de forma orgânica, mas com prejuízos é impossível.

Paulo Macedo reforçou a ideia de que se trata de uma entidade pública e, portanto, a Caixa não tem as mesmas formas de aumentar capital que um banco privado tem, neste caso, o acionista único é o Estado.

Relativamente ao “excesso de capital”, Macedo afirma que “o banco fica com um rácio de capital de 12%, o que corresponde aos mínimos dos pares europeus da Caixa — a Caixa não apresenta capital a mais, na opinião da administração. Tem diversos fatores de risco”, salientando que o maior custo para os depositantes “é não ter capital”.

Alterações na política de créditos

Paulo Macedo garantiu que após a conclusão do processo de recapitalização “a Caixa tem liquidez, capital e crédito novo para conceder”. No entanto, o responsável máximo do banco público salientou que haverá dois tipos de alteração na política de concessão de crédito nomeadamente na redução de crédito às grandes empresas (principais responsáveis pela maioria das imparidades, considerou Macedo) e do setor público.

Presidente executivo da Caixa defendeu que um dos principais fatoresno plano de recapitalização passa por alterações de fundo nas políticas de risco.

Rescisões avançam no final deste mês

Quanto ao número de redução de pessoal e fecho de balcões , Paulo Macedo refere que tal redução deve ser feita “por reformas antecipadas e por rescisões a mútuo acordo”, salientando que “as condições de reforma na Caixa, na Caixa Geral de Aposentações, são as melhores de toda a banca — as pessoas têm condições para não ficarem maltratadas”. O actual responsável confirma que existiram alterações ao plano existente, garantindo que existiria um balcão por concelho.

Paulo Macedo disse ainda que a Caixa admite que seja criado um serviço de Caixa Móvel, uma carrinha que possa deslocar-se em zonas onde forem fechadas agências para ajudar no acompanhamento, durante o tempo que for necessário, das pessoas que ficarem sem agência.

Já foi pedida autorização do Banco de Portugal mas o serviço ainda está a ser elaborado.

Mais notícias
PUB
PUB
PUB