Paulo Macedo: “Não apresentar lucro é um duplo problema”

A CGD teve prejuízos de 38,6 milhões no trimestre, por causa de pré-reformas e rescisões por mútuo acordo de 58 milhões de euros.

Foto: Cristina Bernardo

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos diz que é indispensável o banco voltar ao lucro, porque, se não o fizer, enfrentará um duplo problema: não respeitará o compromisso que a instituição tem com Bruxelas e terá de fazer cortes. “Se a CGD não apresentar lucros, terei um duplo problema. É algo que não é normal e a geração de lucros é por excelência a produção de capital. Um banco que não gere capital tem de encolher”, diz no dia em que o banco apresentou prejuízos de 38,6 milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Os resultados foram penalizados por custos não recorrentes para pré-reformas e rescisões por mútuo acordo de 58 milhões de euros (42,1 milhões líquido de impostos).

“A perspetiva que temos é de que nos devemos focar mais na atividade do que propriamente nos custos extraordinários”, esclareceu Paulo Macedo. “O que queremos é que este resultado recorrente, trimestre após trimestre, seja superior”, acrescentou.

O resultado líquido recorrente atingiu 3,5 milhões de euros.
A margem financeira aumentou 18,4% no primeiro trimestre deste ano, face a igual período de 2016, para 326,1 milhões de euros. O produto bancário progrediu 65,2%.
Em termos de qualidade dos ativos, o crédito em risco reduziu-se em 1,5 pontos percentuais, a 31 de março de 2017, face ao mesmo dia de 2016, para 10,4%, com uma cobertura por imparidades de 77%. O custo do risco de crédito do trimestre situou-se em 0,17% (novas entradas em malparado), confirmando a trajetória descendente esperada.

O contributo da atividade doméstica para o resultado líquido do grupo CGD foi negativo em 88,3 milhões, o que compara com 114,2 milhões de euros negativos no período homólogo do ano anterior.

O contributo da área de negócio internacional para o resultado líquido consolidado alcançou 49,6 milhões, o que representa uma subida de 24,3%. Os maiores contribuintes foram o BNU Macau (15,6 milhões de euros), a sucursal de França (13,5 milhões),  o BCG Angola (7,2 milhões de euros) e o BCG Espanha (4,9 milhões).

Em declarações na apresentação de resultados, e relativamente aos valores para eventuais indemnizações para os ex-administradores Tiago Ravara Marques e Pedro Leitão, Paulo Macedo disse que o processo será rápido. “O que nós entendemos é que será decidido brevemente pela comissão de vencimento. Creio que será um processo encerrado a curto prazo”, disse.



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