Paulo Macedo: “A Caixa quer aumentar a quota de crédito às PME”

O presidente da Caixa Geral de Depósitos assinou um artigo de opinião no Jornal Económico intitulado "Ano de transformação e de adaptação", onde analisa os desafios que se colocam à CGD e ao sector.

Cristina Bernardo

O ano de 2018 continuará a ser um ano de transformação da banca portuguesa para se adaptar às alterações de regulação, rentabilidade, tecnologia, capital e mudanças das necessidades dos clientes.

Os maiores desafios da Caixa para 2018 passam pelo aumento da rentabilidade, pelo investimento nas plataformas digitais e aumento da quota de mercado no financiamento às PME e no cumprimento do seu Plano Estratégico, peça essencial do seu Plano de Recapitalização.

Os créditos não produtivos (NPL), irão continuar a ser reduzidos no conjunto da banca portuguesa, embora continuem elevados quando comparados com a média europeia. Mas é preciso registar a evolução positiva ao longo do último ano e a necessidade de tempo para resolver esta questão, dado que a venda demasiado apressada deste tipo de créditos pode provocar uma destruição adicional de valor para os bancos.

Outro dos grandes desafios para 2018 será o aumento da rentabilidade, pois as taxas de rentabilidade atuais continuam insuficientes, à semelhança dos últimos 7 anos, para remunerar o custo do capital. A Caixa está progressivamente a moldar a sua atividade às exigências do mercado e da economia portuguesa, designadamente, da concorrência e dos clientes.

Parte do esforço da Caixa passa pelo reforço no investimento na digitalização, área onde é claramente líder destacado no mercado nacional, segundo o BASEF. A Caixa tem como objetivo aumentar esta posição de liderança, pois os clientes querem ter serviço em qualquer sítio e a todo o momento. Atualmente, a Caixa já está disponível, para a maioria das necessidades, além da plataforma telefónica, das agências remotas e da internet, nos smartphones, meio que a maioria dos portugueses utiliza diariamente, quer sejam particulares, quer empresas.

Com o aumento da procura de serviços online, são cada vez menos, os clientes que procuram uma agência física para a maioria dos serviços que o banco disponibiliza. A Caixa vai manter-se com uma extensa rede de agências ao mesmo tempo que vai desenvolver os seus serviços digitais. Tendo presente os objetivos do seu Plano Estratégico, a Caixa decidiu que não vai encerrar qualquer Gabinete de Empresas.

Em 2018, a robótica vai também continuar a ganhar espaço nos bancos, como já aconteceu pontualmente em 2017. Não robots em forma humana, com braços e pernas, mas sistemas de software autónomos que permitem fazer tarefas rotineiras e burocráticas em segundos, o que também ajuda no aumento da eficiência, pois conseguem diminuir o tempo dos processos.

Em 2017, conseguimos diminuir o tempo de decisão de uma solicitação de um crédito à habitação, porque repensámos os processos internos e introduzimos nova tecnologia. E vamos continuar a melhorar os níveis de serviço aos clientes, que não querem pagar comissões altas, mas obter altos níveis de serviços com o mínimo custo possível. Por isso, o aumento da eficiência dos processos bancários é um elemento fundamental para a redução dos custos operacionais e para a melhoria da rentabilidade, com aumento de qualidade dos serviços prestados.

A Caixa é líder de mercado no crédito concedido a médio e longo prazo em Portugal. Se analisados por alguns prismas, esta rigidez de balanço penaliza as contas da instituição, por outro é um sinal de que a Caixa é um banco de relações duradouras com os seus clientes e de apoio à economia e às famílias portuguesas. Não obstante a Caixa reconhecer o privilégio destas relações, em 2018 queremos crescer na quota de crédito também de curto prazo, pois é nestes créditos que se consegue mais proximidade com os clientes.

Outro dos objetivos importantes para o próximo ano passa por aumentar a quota de crédito às pequenas e médias empresas. A Caixa é líder na concessão de crédito em Portugal, mas quer chegar à sua quota natural nas PME. Os empresários sabem que, provavelmente não terão, por muito mais tempo, condições de preço no crédito historicamente baixos como as que têm hoje, com taxas de juro reais negativas para as empresas com melhor rating e para crédito à habitação.

A situação de confiança no país permite que a diferença de spread entre as PME alemãs e as melhores empresas portuguesas seja apenas de 5 pontos base, como disse em novembro Mário Draghi no 2º ECB Fórum. E portanto, existem condições ímpares para o investimento, procurando os mercados de exportação, fundamentais numa economia globalizada.

Em 2018, a Caixa continuará a ter como principal prioridade a confiança dos depositantes portugueses, reafirmada pela recapitalização realizada em 2017 e pela rentabilidade prevista para 2018. A segurança dos depósitos (tendo a Caixa mais de 30% dos depósitos portugueses) continuará a ser a sua principal prioridade, ainda que com custos acrescidos para a Caixa, em face do aumento as contribuições com o Fundo de Garantia de Depósitos, Fundo de Resolução, e de Supervisão, verificadas nos últimos anos.

Cremos que o ano de 2018 será um ano de relançamento efetivo do sistema bancário, em geral, e da CGD, em particular, com o reforço da sua solidez e o aumento da sua produtividade global, permitindo assim, por um lado, taxas de rentabilidade mais próximas da normalidade dos mercados e, por outro, o aumento continuado do serviço aos clientes bancários, particulares e empresas com as consequências positivas que se refletem necessariamente na economia nacional.






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