Passos e Cristas pressionados para se demarcarem de candidato que criticou etnia cigana

André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD/CDS volta a tecer comentários xenófobos. Bloco de Esquerda já tinha apresentado queixa à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial.

Foto: Facebook PSD Loures

André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD, com apoio do CDS, deu uma polémica entrevista o jornal i, onde falou dos ciganos como uma etnia que “vive quase exclusivamente de subsídios do Estado “, acrescentando que “acham que estão acima das regras do Estado de direito”.

Depois destas declarações polémicas, várias personalidades políticas exigiram que Pedro Passos Coelho se demarcasse de André, assim como um dirigente do CDS sugeriu que se rompesse a coligação na Câmara de Loures.

Anteriormente, André Ventura, advogado militante do PSD e que encabeça agora a coligação “Loures Primeiro”, já tinha proferido declarações semelhantes ao Notícias ao Minuto. “Temos tido uma excessiva tolerância com alguns grupos e minorias étnicas. Não compreendo que haja pessoas à espera de reabilitação nas suas habitações, quando algumas famílias, por serem de etnia cigana, têm sempre a casa arranjada. Já para não falar que ocupam espaços ilegalmente e ninguém faz nada”, afirmou o candidato”

No Facebook as reações a esta polémica já estão a ser partilhadas. Francisco Mendes da Silva, dirigente centrista, escreveu que “Não há praticamente nada que André Ventura diga que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista”.

O deputado socialista Filipe Neto Brandão também deixou a sua opinião na rede social, onde escreve que depois de ler a entrevista, Passos Coelho ainda vá a tempo de pedir que Ventura possa “ser discurso do PSD numa autarquia, seja ela qual for”.

No dia seguinte à entrevista dada ao Notícias ao Minuto, Fabian Figueiredo, que encabeça a candidatura do Bloco de Esquerda à Câmara de Loures, apresentou uma queixa na Comissão pela Igualdade e Contra a Discriminação Racial.

Francisco Seixas da Costa, ex-governante do PS, utilizou a mesma rede social para mostrar o desagrado com as declarações do candidato, escrevendo que “um silêncio da direção do PSD sobre estas declarações funcionaria como uma objetiva rutura desse consenso, deslocando o nome do partido para um terreno eticamente muito pouco cómodo.”

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