“Passos Coelho será líder do PSD enquanto tiver vontade”

O vice-presidente dos sociais-democratas diz que uma minoria que estão contra Passos não vão pôr em causa a liderança, qualquer que seja o resultado das autárquicas. Tece críticas à geringonça e avalia os indicadores económicos do país.

Qual é o balanço que faz da geringonça e destes quase dois anos de governo socialista?
Têm sido dois anos de uma estabilidade política e sindical, aproveitando as reformas que vinham de trás e sem nada alterar para o futuro.

Mantém que António Costa é um homem sem estratégia? Ou considera que, afinal, o diabo não apareceu traduzido na evolução das contas públicas, nomeadamente do défice, e na criação de emprego?
Devo dizer que tenho uma boa relação com António Costa e temos estabelecido parcerias com vários ministérios. Mas também tenho muitas divergências políticas com o actual primeiro ministro, mas tenho de reconhecer que ele conseguiu vir a Cascais apresentar a sua candidata e não dizer mal do presidente em exercício.

A estratégia do diabo não saiu furada?
Sou católico, apostólico romano, não tenho essa perspetiva penalizadora. Vou utilizar outra parábola. O que está a acontecer em Portugal é o que me dizem que acontece – nunca fiz isso, não quero ganhar uma guerra com o PAN – se se puser um sapo numa panela com água a ferver: o sapo consegue saltar. Mas se puser a água ao lume com o sapo lá dentro, a água vai aquecendo até que o sapo morre, não foge. Estamos a servir de sapos numa panela com água que está a ser aquecida com muitas narrativas e pós-verdades.

Mas quanto aos indicadores do País…
… Os indicadores são positivos, mas não são suficientes. Nos próximos 10 anos, não resolve nada, pois devíamos estar a fazer um conjunto de reformas. Nunca o Estado teve tão presente na nossa vida como agora. Somos um país com uma economia pequena a funcionar como uma economia grande. O crescimento do País não é obra de um governo, começou com o anterior e continuou com este. E ainda bem. O que é bom para os portugueses é bom para o PSD. Mas porque o bom tempo não dura sempre, desafio os leitores a apontarem uma reforma que tenha sido feita pelo actual governo e que nos prepare para os dias de chuva. Não há uma.

Os resultados das autárquicas podem ditar uma mudança na liderança de Passos Coelho?
Passos Coelho será líder do PSD enquanto tiver vontade para ser líder. Tal como Sá Carneiro ou Cavaco Silva, foi o único líder do PSD que ganhou legislativas duas vezes consecutivas. É claro para todos que o seu futuro não depende das autárquicas.

Mas se o PSD tiver um mau resultado, por exemplo em Lisboa, não haverá muita gente do PSD a “sair da toca” para atacar Passos Coelho?
Seria uma grande inocência da minha parte – um grande desconhecimento – dizer que isso não irá acontecer. Da toca sairão sempre, como têm saído. A grande vantagem que poderiam dar é sair da toca e serem consequentes. Até agora nunca foram. Mas isso representa uma minoria muito pequena, não vai pôr em causa a liderança. Os nossos estatutos determinam que haja eleições no partido um ano a seguir às autárquicas.

Considera que a perda de importância do voto urbano do PSD pode dificultar a estratégia do Partido enquanto alternativa do poder?
Nas legislativas, o PSD ganhou em Lisboa, onde António Costa tinha sido presidente de Câmara. Na hora da verdade as pessoas vão votar avaliando a capacidade de cada partido servir o país, precavendo o futuro dos nossos filhos e não olhando apenas para os nossos bolsos no presente.



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