Passos Coelho diz que partidos de esquerda consideram “acessório o que é fundamental”

No seu discurso para os estudantes em Vila Real, segundo a Lusa, o líder do PSD falou do "perdão" da dívida ao Fundo de Resolução "concedido pelo Governo ao sistema bancário", referindo-se à diferença entre os juros a que o Estado se financia e os juros que os bancos vão pagar ao longo de 30 anos.

Rafael Marchante/Reuters

O presidente do PSD afirmou hoje que o Governo vive no essencial do “compromisso mínimo” com o BE e o PCP, que consideram “pouco relevante aquilo que é fundamental”, referindo-se ao facto de o Estado financiar-se a um preço mais alto do que os juros que estipulou para o empréstimo a 30 anos que o Fundo de Resolução tem de pagar ao Estado.

No seu discurso para os estudantes, o líder do PSD falou sobre a venda do Novo Banco e os custos que vai representar para os portugueses devido ao “perdão” da dívida ao Fundo de Resolução concedido pelo Governo ao sistema bancário. O presidente do partido que lidera a oposição referia-se ao alargamento das maturidades dos empréstimos que o Estado concedeu ao Fundo e Resolução para as resoluções do BES e do Banif.

A maturidade dos empréstimos concedidos ao Fundo de Resolução para financiamento das medidas de resolução do BES e do BANIF foi alargada até dezembro de 2046. Nessas alterações ficaram estipulados  os juros a pagar ao longo dos 30 anos. Os juros para o empréstimo que financiou a Resolução do BES são de 2% até 2021; os juros do empréstimo, no âmbito da Resolução do Banif, são de 1,38% até 2020. A partir daí os juros são indexados às Obrigações do Tesouro a 5 anos.

O PSD tem dito que os diferentes prazos implicam juros diferentes, e que como tal, os custos que esse gap de financiamento representa para o Estado são fatura dos contribuintes.

E, sobre esta solução, o líder do PSD referiu que o BE e o PCP “não dizem nada”, apenas “dizem que não estão de acordo mas isso é porque sabem que não têm de a votar, porque se soubessem que tinham de a votar votavam-na no Parlamento, assim fazem um projeto de resolução que é conversa para fazer de conta que não é nada com eles”.

Mas, na opinião de Passos Coelho, “é com eles, porque o Governo que tomou estas decisões é um Governo que só existe com o apoio deles”, avança a Lusa.

“Mais do que isso, parece muito óbvio que este Governo vive no essencial deste compromisso mínimo entre esses partidos, que acabam por considerar que é pouco relevante aquilo que é fundamental numa sociedade”, afirmou Passos Coelho.

Recentemente Maria Luís Albuquerque, vice-presidente do PSD e candidata às autárquicas por Almada, disse à Rádio Renascença que “o Governo reviu as condições do empréstimo ao Fundo de Resolução e passou de um prazo relativamente curto para um empréstimo a 30 anos, com uma taxa de juro que é muito inferior àquilo que o dinheiro a 30 anos custaria ao Estado. Isso significa, de facto, que os contribuintes vão suportar uma parte do custo”.



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