Países periféricos: Juros da dívida caem depois de sinais de Draghi

Mercados reagiram às declarações de presidente do BCE e interpretaram que o banco se poderá preparar para comprar mais bonds de países periféricos, causando uma descida das taxas de juro em Portugal, Espanha e Itália.

Axel Schmidt/Reuters
Axel Schmidt/Reuters

A reunião de governadores do Banco Central Europeu (BCE) desta quinta-feira causou um recuo nas taxas de juros dos países da zona euro. Portugal não foi exceção e as taxas benchmark negociaram abaixo dos 4% durante a manhã de sexta-feira, o que não acontecia desde o fim de janeiro. No entanto, o impacto do BCE nos juros portugueses não duraram.

O banco liderado por Mario Draghi anunciou ontem que poderá “flexibilizar” a aplicação de regras que regem o programa de compra de obrigações, focando-se no mandato: inflação próxima, mas abaixo dos 2%. O BCE admitiu que “desvios limitados e temporários” da chave de capital são “inevitáveis” para garantir o programa de Quantitative Easing (QE).

A chave de capital determina os limites ao número de obrigações de cada país compradas consoante a economia do mesmo. Assim, com os sinais dados pelo banco central, os mercados reagiram e interpretaram que o banco se poderá preparar para comprar mais bonds de países periféricos, mais endividados, e menos de países com menores dívidas, de acordo com a Bloomberg.

Os juros das dívidas soberanas dos países da zona euro reagiram de forma generalizada, apesar de terem estabilizado posteriormente. “Depois do BCE ter dado a possibilidade de flexibilizar a compra de ativos através do programa de QE, as yields das obrigações a 10 anos dos principais países europeus desceram dando uma perspetiva enganadora de diminuição de risco”, diz o gestor Henrique Romão Dias, da corretora XTB.

No caso de Portugal, as taxas da dívida de longo prazo benchmark, ou seja a 10 anos e que são vistas como indicador do risco soberano, chegaram a negociar ontem nos 3,973%, sendo que hoje voltaram a rondar os 4%. As yields a 10 anos de Espanha e de Itália caíram 10 pontos base para os valores mais baixos em duas semanas – 1,59% e 2,14%, respetivamente, a seguir às declarações de Draghi. Já a dívida alemã a 10 anos não sofreu uma alteração tão acentuada e desceu três pontos base para 0,35%.

“Não será sustentável, segundo os objetivos fundamentais do banco central, continuar com programas de expansão monetária, dado que a inflação da zona euro está a caminhar a passo acelerado para os 2%”, diz o analista. “Verificamos com esta argumentação que o BCE se está a aproximar cada vez mais do “modus operandi” da FED, colocando também o crescimento como objetivo, embora secundário”.

  • Ignorante

    Em Portugal estão só a ajustar … caem que se farta … para cima!

    • Pereira

      Amigo, agora imagine como estaríamos se a UE não nos ajuda-se com este programa de estímulos a descida dos juros…

      • ANONIMO

        “ajuda-se” -> ajudasse

        Isto não tem nada a ver com a UE. Tem a ver com a zona €uro. Se não tivéssemos aderido a moeda única, muito provavelmente teríamos:
        — continuado mais anos a crescer 2% ou 3% em vez da atual média que não chega a 1%
        — mais investimento produtivo e mais capacidade para evitar fuga de capital
        — balança externa mais equilibrada, logo menos dívida externa
        — quer a dívida pública quer a dívida privada (a maior de todas) estariam num valor mais sustentável
        — não teria havido necessidade de “empobrecimento” (queda dos salários) para simular desvalorização da moeda

        Long story short, quase de certeza que não teríamos chegado ao ponto de precisar de resgate, pois etsando fora da zona €uro, não teríamos sofrido com os seus desequilíbrios, e portanto não seríamos um dos afetados pela “Crise das Dívidas Soberanas da Zona €uro”.

        A alternativa era o PSD e PS terem sido mais democráticos e terem feito um referendo para a entrada no €uro, que teria sido largamente rejeitada. A alternativa era continuarmos a ter moeda própria, mas ao mesmo tempo a beneficiar da estabilidade de juros e inflação da zona €uro. Como? Fazendo como a Dinamarca e permanecendo no ERM, de onde nunca devíamos ter saído em 1999!

        • Pereira

          Tem razão em algumas coisas. É claro que é mais fácil de resolver algumas coisas com moeda própria, mas não resolve tudo. A verdade é que enquanto andávamos a brincar com a Expo e Euro 2004 outros andavam a preparar-se para receber esta moeda. Ja se sabia de alguns efeitos que Portugal iria sofrer na entrada do euro, mas esses estudos ficaram na gaveta… Portanto, nós é que nos pusemos a jeito de estar na situação que estamos. Não foi culpa de mais ninguém.

          • ANONIMO

            Claro que não resolve tudo. Mas dá melhores condições para podermos resolver os problemas que temos, tal como acontece nos restantes 170 países normais do Mundo, ou seja, os que têm moeda própria e não estão numa união monetária.

            Pois, nessa parte da culpa ser nossa, você também tem razão. Ninguém obrigou Portugal a entrar numa união monetária disfuncional sem se preparar para tal, e sem exigir a continuação das reformas para corrigir os desequilíbrios do €uro.

          • Pereira

            Começamos a nos entender. É certo que há factores externos que não controlamos, mas podemos fazer melhor em toda a linha. Não vale de muito estar-mos aqui a falar se estivesse fora ou dentro etc… O que interessa é que estamos na UE numa das melhores regiões do mundo para viver e trabalhar. Se queremos melhores condições de vida e trabalho temos de fazer nós por isso e não estar a espera da esmola dos outros. Mas desde já digo que gostei do seu comentário.

        • Ignorante

          Saímos do ERM pela mão do PS, e bem!

          • ANONIMO

            Compare TODOS os dados macroeconómicos de Portugal em 3 fases distintas:
            1– de 1986 até 1992 – período democrático com estabilidade política, e moeda única
            2– de 1993 até 2000 – período com moeda própria indexada ao €uro (ERM)
            3– de 2001 até 2008 – período na zona €uro, antes da Grande Recessão

            Compare e coloque aqui os dados, se tiver coragem para isso.

            Eu já o fiz e comparando o crescimento Real, a taxa de desemprego, a evolução do poder de compra, o saldo externo, a dívida pública, a FBCF, e a inflação, só há uma conclusão possível:
            – o nosso melhor período foi de 1993 até 2000.

            De 1986 até 1992 ainda havia demasiada inflação, e de 2001 em diante o nosso potencial de crescimento desvaneceu e o saldo externo negativo criou uma dívida gigantesca.

            Depois há um 4º período, de 2009 até agora, onde fica à vista de quem quiser ver, que a pertença à zona €uro nos atirou para uma “Crise das Dívidas Soberanas” e para uma falta de soberania (falta mesmo de democracia) que nos impossibilitou de, a seguir à crise, entrar num ciclo económico de recuperação que teria evitado sem margem para dúvida a vinda da troika.

          • Ignorante

            “o nosso melhor período foi de 1993 até 2000, o que coincide com a pertença ao ERM.”

            Coincide com a pertença ao ERM ou coincide com o período em que havia dinheiro a rodos vindos da UE?

            A forma como interpreta os factos é sempre a mais conveniente … mas está no seu direito!

  • Quebra Tolas

    Ai está mais uma folga para se poder esbanjar eheh Lá para a frente logo se verá !

  • pjcm

    Uma no cravo outra na ferradura. Por um lado diz que suporta mas por outro refere a inflação a subir facto que assusta os investidores logo mais risco logo juros a………….descerem para aumentarem no dia seguinte!

  • pa

    em portugal não

  • JP

    Os aziados da direita, vêm estas intervenções como o diabo.
    O mais curiosos é que não explicam completamente, os movimentos dos juros em Espanha, com taxas de crescimento do PIB na casa do 3% e a % da dívida sobre o PIB, bem mais baixa do que a de outros Países…Enfim são os Mercados…o pior é que os Mercados, podem significar muitas coisas…é conforme.
    Outra coisa curiosa é a conversa do Moscovici acerca de um Ministro das Finanças para a área do € e finalmente a conversa da mutualização de parte da dívida dos Países do €. Aos poucos por força da realidade, as impossibilidades de ontem vão-se tornando as inevitabilidades do Futuro.

    • ANONIMO

      FACTO: 2017-Fev-15: Portugal coloca dívida com os juros mais baixos de sempre

      “Factos” Alternativos: na comunicação social do regime do PàFistão durante semanas a fio: Lobo Xavier mostrou SMS, Centeno mentiu, polémica na CGD, A.Costa zanga-se com Marcelo, Centeno não explica o que queríamos que ele dissesse, PSD diz que, Marques Mendes diz que, presidente da CPI demite-se por falta de condições democráticas, etc

      Quando não há assunto que valha à trica política do PSD e CDS, eles próprios decidem o assunto com que todos os meios de comunicação do regime devem ocupar 90% do seu tempo… o resultado é que até um site de apoio da Geringonça passou a ser uma fonte de notícias mais credível que os propagandist… quer dizer, a imprensa “livre”.

      • JP

        A realidade é de facto um coisa difícil de digerir, sobretudo para aqueles que odeiam a realidade, sobretudo quando a realidade lhes corre mal.
        Aos pouco a direita vai perceber, mais tarde ou mais cedo, que este caminho não vai levar a nada. O Paulo Portas, sempre fino como o azeite, já percebeu e já se pôs ao fresco faz tempo…
        O Pedro Passos Coelho, vai também ele bater de frente com a tal parede de que tanto falou, é inevitável, sobretudo depois das eleições autárquicas.
        Só quando baterem no fundo do poço é que vão voltar à Social-democracia, mas nessa altura já a esquerda se terá consolidado também na Europa…

  • TekMan

    Já se justificava um “Aeroporto Mário Draghi”.

  • Jorge MRA361

    É bom para o Costa. Nasceu com o … virado para a Lua.

  • NovoNick

    Ontem, o Jornal Económico passou completamente ao lado de qual foi a notícia relevante referente à reunião de governadores…