Os recursos humanos e a competitividade

Temos que gerir o binómio educação-formação profissional de forma contínua para que os nossos recursos humanos estejam em permanência a ter 'skills' de empregabilidade.

Os custos unitários de trabalho são um factor crítico para a nossa competitividade e não podem ser dissociados da produtividade, intimamente ligada a qualificação profissional e às leis laborais, áreas onde tem de haver um esforço continuado de adaptação às necessidades das empresas. Há desafios crescentes na manutenção de níveis de produtividade pois que, apesar de salários relativamente baixos no contexto das economias avançadas, a relação do custo completo do trabalho versus produtividade é pouco favorável.

Há uma notória falta de quadros intermédios que têm de ser formados pelas empresas, obrigando-as a um nível de investimento substancial e contínuo na formação dos seus colaboradores. O mesmo se começa a sentir a nível de engenheiros, onde a evolução socioeconómica dos últimos anos, para além da alteração demográfica, trouxe uma clara redução nos candidatos aos cursos de carácter mais técnico, onde os conhecimentos de matemática e física são determinantes.

O modelo da Indústria 4.0 levanta a  crescente necessidade de formação em competências digitais e há cada vez mais necessidade de soft skills: capacidade de adaptação a novas realidades culturais, trabalho em equipa, novas competências no domínio da comunicação e do conhecimento de línguas estrangeiras (inglês, espanhol, alemão, francês, mandarim e russo).

Temos que gerir o binómio educação-formação profissional de forma contínua para que os nossos recursos humanos estejam em permanência a ter skills de empregabilidade, ajustando-se continuamente às necessidades dos mercados de trabalho e emprego.

Temos que actuar a montante do sistema de ensino superior, onde se começa a dar o divórcio dos alunos com a matemática e física, por forma a garantir um afluxo suficiente de candidatos às escolas de engenharia.

Assim, impõe-se: (1) Reformular os Centros de Formação Protocolares do IEFP de modo a formarem os talentos que a indústria necessita actualmente. A indústria hoje já não tem o “velho” operário indiferenciado, mas sim técnicos e engenheiros qualificados!; (2) Revitalizar as Escolas Tecnológicas lideradas pelo Ministério da Economia, funcionando em rede com as infra-estruturas tecnológicas e as empresas industriais, e não sob alçada do sistema formal de ensino, como está a acontecer; (3) Integrar a nível nacional o sistema técnico-profissional no modelo DUAL, estruturado, em combinação com o Ensino Superior e com os clusters, aproximando escolas e empresas; (4) Implementar um Programa de formação em Competências Digitais.



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