A liderança pode ser desenvolvida. Temos apenas de nos questionar: “tenho eu as competências certas para que as pessoas queiram ser lideradas por mim?”.

Num mundo global, que não pára de nos surpreender – vejam-se os casos recentes do Brexit ou das eleições norte-americanas – a capacidade de antecipar o futuro, inspirar as pessoas e entregar resultados sustentados – as três responsabilidades que definem um líder – são cada vez mais exigentes, com novos e crescentes desafios.

Por um lado, é mais difícil antecipar num mundo com ritmos de inovação sem precedentes, onde o conhecimento duplica a cada 13 meses e em que para que um produto chegue a 50 milhões de utilizadores já não são precisas décadas, anos ou meses, mas apenas alguns dias. Por outro, é também cada vez mais difícil inspirar as pessoas num mundo onde as novas gerações, as primeiras nativas digitais, são mais exigentes, mais qualificadas, mais desafiadoras, têm “mais mundo”, são menos comprometidas e já não se movem por noções tradicionais de hierarquia, carreira, salário ou estatuto. Valorizam antes outras coisas como propósito, impacto, cidadania e crescimento individual. E tudo isto muito rapidamente.

Finalmente, entregar resultados consistentes e sustentados é também mais difícil, num mundo marcadamente competitivo, onde a esperança média de vida de uma organização ronda os 12,5 anos e 70% das inovações são introduzidas por novos players, que não os tradicionais.

Neste novo mundo, um novo paradigma de liderança está a emergir. Um paradigma que se pode traduzir de forma simples num conceito que há alguns anos marcou a mudança da General Electric, uma das empresas mais admiradas do mundo: “from command and control to inspire and connect.” E, neste paradigma, um novo set of skills é inevitavelmente requerido a todos aqueles que ambicionam assumir a responsabilidade de liderar. Há 7 competências chave que farão a diferença no futuro, colocando em causa algumas das noções tradicionais de liderança.

  • ‘Love for Stakeholders’: desenvolver um propósito que cria valor para aqueles que nos rodeiam. Mais do que responder ao como e ao quando, responder ao quê e porquê.
  • ‘Eagerness to Improve’: desafiar a forma tradicional de fazer as coisas, num clima que fomenta a abertura e a aprendizagem. Mais do que operar num contexto, incentivar as pessoas a mudá-lo.
  • ‘Alliancing and Partnering’: conectar as pessoas e parceiros certos, isto é, aqueles que trazem valor ao nosso propósito. Mais do que trabalhar em equipa, desenvolver alianças e parcerias.
  • ‘Direction and Guidance’ – envolver e inspirar as equipas para a materialização de uma visão. Mais do que elaborar planos e orçamentos, alinhar as pessoas com objetivos comuns.
  • ‘Efficiency and Effectiveness’: focar as equipas naquilo que é realmente importante para atingir os resultados. Mais do gerir processos e recursos, orientar e responsabilizar as pessoas.
  • ‘Resilient Entrepreneurship’: assumir riscos com coragem, atuando com determinação na adversidade e agilidade na incerteza. Mais do que planear o futuro, antecipar e aproveitar as oportunidades, sem medo de falhar.
  • ‘Staff Engagement and Development’: motivar e desenvolver as pessoas, como indivíduos, nas suas singularidades e diferenças, e não apenas como recursos. Mais do que exercer o poder, influenciar comportamentos.

Estas 7 competências são – e serão – cada vez mais relevantes para antecipar a mudança, inspirar as pessoas e entregar resultados. Exercê-las de forma consistente, ultrapassando os desafios deste novo mundo, não é tarefa fácil. Mas é possível. Está demonstrado que a liderança não é inata, está ao acesso de todos e pode ser desenvolvida.  Basta querermos. Temos apenas de nos questionar: “tenho eu as competências certas para que as pessoas queiram ser lideradas por mim?”. E, como uma pergunta leva sempre a outra, desafiamo-lo com uma outra questão: “o que estou a fazer para as desenvolver”?

 



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