A responsabilidade política não é do Governo, a culpa é do passado. A falta de coordenação não é da proteção civil mas de políticas erróneas na gestão da floresta.

No verão do nosso descontentamento, onde pontuaram diariamente e de forma continuada as notícias dramáticas sobre incêndios um pouco por toda a parte, descortinou-se o pior das táticas do atual Governo socialista: alijamento de responsabilidades, falta de capacidade de decisão, de apoio pronto e adequado e, principalmente, falta de estatura política dos membros do Governo.

Aqui, depressa se destacou a senhora ministra da Administração Interna. Inicialmente figura de corpo presente, mais tarde, no parlamento, num exercício falhado de vítima. A partir de então desaparecida. Nunca em quatro décadas de democracia e perante tanto drama, se verificou durante tanto tempo e de forma tão visível, a invisibilidade da titular da pasta que tutela a Proteção Civil.

Atente-se no apoio, sempre preocupado, do Presidente da República e apenas nos momentos de maior atração pública contamos com a presença do primeiro-ministro. Até ponderámos se haveria real preocupação política do Governo com os incêndios.

Depois da fase inicial de ignição, onde importa atacar de forma decidida o problema para conter males maiores, o Governo esteve de corpo presente. No momento do controlo da situação entrámos na fase de negação. A responsabilidade política não é do Governo, a culpa é do passado. A falta de coordenação não é da proteção civil mas de políticas erróneas na gestão da floresta.

Por agora estamos no ponto de viragem para uma nova fase: o rescaldo. Quando se extinguem os incêndios, ao invés de encontrar rapidamente as causas e as soluções, empurramos as conclusões para diante, sempre para depois das eleições autárquicas. Parecer após parecer há que procurar a solução que menor dano cause ao Governo e que desresponsabilize este e a sua protagonista.

Destapa-se contudo a fase final. A errática estratégia governamental tem agora uma nova vertente. Numa semana, o primeiro-ministro António Costa ensaia uma manobra de diversão já vista, em que ninguém acreditou, de apelo ao consenso nacional em nome do futuro. Passados sete dias, o mesmo António Costa, agora secretário-geral do PS, atira-se a Assunção Cristas (sem respeito) e a Pedro Passos Coelho (mentindo), assumindo dessa forma a pouca seriedade com que tinha elaborado na semana anterior.

Isto é o que resta de uma pequena “silly season”: o chefe do executivo branqueia a sua política com os ataques ao passado, perante a deserção no presente do seu Governo. Começando pela coordenação dos ministros do seu Governo. A não ser que ainda esteja de férias.



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