Macron: o primeiro dia do resto da vida dele

Emmanuel Macron é desde ontem presidente da República francesa. As expectativas são altas e esse pode ser o seu primeiro grande problema.

Reuters

O novo presidente da República francesa tem uma enorme carga de trabalhos pela frente. No seu primeiro dia no novo cargo, o mais jovem presidente alguma vez eleito em França tem de dar mostras de ser capaz de convidar um primeiro-ministro que seja, por sua vez capaz, de formar um governo de união do país. O escrutínio a que o novo governo estará sujeito até às eleições gerais a meio do próximo mês será fundamental para se perceber qual é de facto a força de Macron.

O novo governo será por certo o mais centrista e europeísta possível, para passar uma mensagem tanto para os franceses como para Bruxelas e Estrasburgo – que deposita nas mãos de Macron a ‘obrigação’ de contribuir enormemente para a consolidação do muito abalado projeto europeu.

Nesse quadro, não é de esperar que este primeiro mês do novo governo venha a ser pródigo em grandes notícias: as situações de risco ficam lá mais para a frente, quando se conhecer a composição do novo parlamento. Uma coisa, de qualquer modo, parece certa: Marine Le Pen, na oposição e a olhar para o interior do seu próprio partido, vai fazer uma marcação muito próxima ao executivo – precisamente na tentativa de transferir para o parlamento (onde tem apenas dois lugares) a força que demonstrou ter nas presidenciais. Jean-Luc Mélenchon, alavancado no espantoso resultado que conseguiu na primeira volta das presidenciais, também não se vai mostrar amistoso com um presidente em quem nem sequer aceitou votar (ou mandar votar) na segunda volta.

Só da parte do PS francês Macron não tem para já grande coisa a temer: o partido está de tal modo desestruturado, que possivelmente nem sequer se apercebeu que o novo presidente já tomou posse…