“O Cruzeiro do Snark” Jack London no olho do furacão

Jack London nasceu no seio da classe trabalhadora californiana, em 1876.

Marta Teives

Em miúdo, contrabandeou ostras, carregou carvão e foi empregado numa fábrica de conservas. Nos tempos livres ia para as bibliotecas públicas devorar romances e literatura de viagens.

Aos 17 anos, de regresso a casa depois de uma viagem no mar, em que um tufão ao largo da costa japonesa quase levou a vida à tripulação do navio onde se encontrava, narrou esta e outras aventuras à sua mãe, que o convenceu a entrar num concurso de escrita lançado por um jornal local. Tendo vencido o primeiro prémio, Jack London decidiu dedicar a sua vida à escrita de contos, mas a dificuldade em encontrar quem lhos quisesse editar fê-lo ir para o Yukon, onde participou na corrida do ouro. Como também aqui não teve sucesso, decidiu regressar à Califórnia para, mais uma vez, tentar ser escritor.

Aos 27 anos, já com algumas histórias publicadas nos jornais, chega finalmente a fama com “O Apelo da Selva”. Enquanto jornalista, tornou-se igualmente um nome conhecido dos leitores, ao cobrir a guerra ente a Rússia e o Japão, em 1904, e ao apresentar o surf (junto com artigos sobre o Havai) aos norte-americanos do continente. Com frequência, dava palestras sobre os efeitos nefastos do capitalismo, nunca tendo abandonado a sua fé no socialismo, que defendia desde a juventude.

Em “O Cruzeiro do Snark”, editado pela Antígona, London narra o seu périplo de dois anos pelo Pacífico, num misto de livro de viagens e documento antropológico. Pouco sabendo da arte de navegar, partiu de São Francisco com a mulher e dois tripulantes, em direção ao Havai, depois às ilhas Marquesas e Salomão, e descreve aqui algumas das lições de vela que deu a si próprio a bordo do Snark, nome que terá sido inspirado num poema de Lewis Carroll.


Numa nota introdutória, London recorda o episódio do tufão, considerando-o o seu momento de glória, a proeza mais notória da sua vida, em que esteve ao leme durante uma hora, tentando manter a goleta à tona, no meio de enormes vagas, enquanto os seus 22 companheiros tomavam o pequeno-almoço. Mais adiante, recorda que o Tahiti é “um dos lugares mais maravilhosos do mundo. Nele habitam ladrões, gatunos e vigaristas e também alguns homens e mulheres honestos e sinceros.”

Escritor prolífico, escreveu 50 livros nos últimos 16 anos da sua curta vida (morreu em 1916, com apenas 40 anos). Para muitas gerações de jovens leitores, Jack London era um autor de culto, tendo contribuído muito para o despertar de grandes paixões pelo mar.

A sugestão de leitura desta semana da livraria Palavra de Viajante.

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