Nuno Amado: “Acelerar demais a redução do crédito em risco destrói capital”

"É bom que haja investimento público mas apenas em áreas e projectos que sejam produtivos para a economia", disse ainda o presidente do BCP.

Rafael Marchante/Reuters

O presidente do BCP falava à margem dos Prémios Millennium BCP Horizontes sobre o crédito malparado.

“Temos ainda um nível de crédito em risco elevado, mas estamos a reduzir ano após ano na velocidade certa (mil milhões de euros)”, disse Nuno Amado.

O CEO do banco explicou que “não se deve acelerar o ritmo de redução porque há risco de destruição de capital”.

Nuno Amado defendeu ainda que o risco soberano mostre sinais claros de melhoria do rating porque isso permite condições de financiamento melhores. O banqueiro considera que esse deve ser o desígnio das entidades responsáveis.

Depois falou do investimento, que o Governo prevê crescer até 2021.

“É bom que haja investimento privado, sobretudo privado. É também bom que haja investimento público mas apenas em áreas e projectos que sejam produtivos para a economia”, disse. Com o aumento da procura, sobretudo externa, estão reunidas as condições para o aumento do investimento, considerou o presidente do banco.

Sobre o BCP disse que após um período difícil o banco está bem alinhado para cumprir os objectivos de 2018.

O BCP vai apresentar lucros no início de maio e Amado frisou que o crescimento dos resultados é essencial para o futuro do banco.

“Somos um banco português com uma base acionista diversificada”, disse Nuno Amado que referiu as participações da Fosun e da Sonangol, e disse ainda que “temos acionistas portugueses, particulares, empresas e institucionais que tem entre 25% a 30% do banco”.

Os investidores institucionais somam 20% a 30%.

“Estamos preparados para apoiar as empresas portuguesas” explicou o banqueiro que realça que neste momento não há dificuldades de financiamento à economia. “Não há dificuldade de acesso ao crédito para empresas com bons projectos e com uma estrutura de capitais mínima”.

Sobre o Novo Banco e a operação de troca de obrigações (LME), Nuno Amado limitou-se a dizer que “não faz sentido os acionistas dos outros bancos suportarem os custos do Novo Banco sem que entidades que estavam à volta do BES (stakeholders do Novo Banco) dêem também algum suporte a esse custo”.

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