Novos desafios da habitação e espaço público em discussão no Archi Summit

Evento dedicado à arquitectura arranca esta quinta-feira, no Lx Factory, em Lisboa. Carrilho da Graça, Junya Ishigami, Gonçalo Byrne e Annette Gigon estão entre a panóplia de oradores oriundos da América Latina, Ásia e Europa.

Numa altura em que o debate sobre o impacto do turismo na habitação nos centros urbanos divide opiniões, o Archi Summit 2018 promete refletir sobre o tema, num ambiente multicultural que reúne nomes como Carrilho da Graça, Junya Ishigami, Gonçalo Byrne, Annette Gigon, Paulo Martins Barata, Marie Jose Van Hee e Tiago Mota Saraiva.

O evento, do qual o Jornal Económico é media partner, irá decorrer esta quinta e sexta-feira, no Lx Factory, em Lisboa e tem na sua quarta-edição os novos desafios da habitação e o ordenamento do espaço público como temas centrais.

Em entrevista ao Jornal Económico, o mentor do evento, Bruno Moreira, antecipa os temas em discussão e que oportunidades de negócio poderão ser desenvolvidas.

O Archi Summit 2018 é dedicado aos novos desafios da habitação e ao ordenamento do espaço público. Que questões específicas serão discutidas?

Serão seguramente levantadas questões relacionadas com a necessidade de soluções para a escassez de espaços para habitação nas grandes cidades, que se traduz na inflação dos valores afetos ao arrendamento de longa duração, ou mesmo o impacto que o crescimento do turismo está a ter nas grandes cidades, que tem contribuído para o despejo dos moradores dos centros históricos, para dar lugar ao arrendamento de curta duração. Por outro lado, serão discutidas formas de potenciar a vivência nos espaços públicos, assim como a relacção e coexistência entre estes e os espaços habitacionais. Na vertente mais técnica do Archi Summit, que contempla a apresentação de projectos de arquitetura e um espaço de exposição direcionado às empresas, contribuirá para a troca de ideias e soluções em contexto de concepção de em ambiente de obra. Aqui entra uma componente mais direccionada para o networking e promoção de negócio, através da interacção entre arquitectos, engenheiros e empresários.

Como foi feita a curadoria do evento?

A curadoria do evento foi um processo de grande trabalho e acima de tudo de um enorme critério, que começou logo após a 3ª edição, em julho de 2017. Era a intenção da organização trazer à ordem do dia temas essenciais e que respeitassem a atualidade do debate na arquitetura e construção. A habitação e o espaço público preenchem na perfeição esses requisitos. Com o Rodrigo Costa Lima e a Amélia Brandão, que mesmo sendo jovens são dois nomes incontornáveis da curadoria para a arquitetura – como é prova o convite que receberam recentemente pelo CCB para uma exposição – conseguimos em conjunto trabalhar um programa sólido, que misturasse gerações e culturas. Desde a América do Sul ao Japão, sem deixar de parte nomes fortíssimos da arquitetura nacional e europeia, o Archi Summit e os seus curadores foram incensáveis num trabalho de eleição, convite e gestão da presença de todos os oradores no evento. Depois, a curadoria quanto ao projeto do espaço, sempre disruptivo, que culminou num resultado muito interessante, cativante e curioso.

 Quais as oportunidades de negócio a desenvolver nesta edição?

Como referi anteriormente, a par das conferências principais sobre este tema, o evento contará com uma forte componente de networking direcionada para promoção de negócios no setor da indústria e construção, dispondo de um espaço de exposição que contará com a presença de mais de meia centena de empresas como a Margres e Love Tiles, Secil, Amorim, Barbot, Gyptec e Sonae, como também Valadares, Efapel, Olie, entre outros, além das centenas de arquitetos e gabinetes de arquitetura que visitam o certame. A arquitetura é assumidamente um forte impulsionador dos setores da indústria e construção, por isso faz todo o sentido envolver players destas três áreas em torno do debate de temas de interesse comum. Na prática, será sem dúvida uma oportunidade única para que os arquitectos fiquem a conhecer as mais recentes inovações e materiais produzidos pela indústria da construção, que poderão utilizar nos seus projectos, para as empresas potenciarem os seus negócios através da realização de parcerias e promoção de produtos, e a indústria ficar a conhecer necessidades reais dos arquitectos, no momento de conceção dos seus projectos, e assim desenvolverem novas soluções que se adaptem a essas necessidades.

Alguns expositores vão dar a conhecer no espaço do evento algumas das mais recentes novidades do setor da construção. O que é que se poderá esperar?

Podemos esperar essencialmente duas coisas: inovação e criatividade. É fundamental destacar sempre a forma como a Love Tiles e a Margres preparam a apresentação dos seus produtos e da experiência Archi Summit, que realmente se destaca dos restantes parceiros. É também uma realidade que algumas coleções e tendências são apresentadas no decorrer do Summit, daí o conceito de inovação. As marcas precisam de momentos como este para apresentar as suas novidades e, definitivamente, este evento tem sido uma grande plataforma. Desde produtos novos, quer do ponto de vista do design, quer da tecnologia.

Paralelamente, irá ocorrer também um seminário sobre economia circular na arquitectura. Qual a importância de projectos ambientalmente sustentáveis?

 A sustentabilidade ambiental está cada vez mais na ordem do dia. A preocupação com questões ambientais que se tem verificado no campo da mobilidade, com a indústria automóvel a apostar fortemente no desenvolvimento de veículos eléctricos e em motorizações alimentadas a combustíveis fósseis que sejam cada vez mais eficientes, tem de ser alargada à construção com maior compromisso. Os edifícios e outras infrestruturas arquitectónicas resultam numa das intervenções humanas a nível global que mais recursos consomem, durante maior número de anos. É essencial que na sua concepção estejam previstas soluções de poupança de água e energia, bem como a utilização de materiais reutilizados e sobretudo reutilizáveis, prevendo o final de vida dos edifícios.

Que expectativas tem em relação ao impacto do evento?

 O Archi Summit é cada vez mais identificado pelo sector como uma referência, sendo já o maior evento de arquitetura do País. Em apenas três edições reuniu mais de dois mil arquitetos e espera um aumento em cerca de 30% do número de participantes face a 2017, ano em que registou um número recorde com mais de mil inscritos. Esperamos receber este ano cerca de 1500 participantes, entre arquitectos, engenheiros e empresários. O objectivo é superarmos-nos a cada edição e obter além fronteiras o reconhecimento que já temos em Portugal. Ano após ano, temos vindo a apresentar programas de elevada qualidade e este ano não é excepção. A aposta na diversidade de estilos é um dos trunfos da quarta edição do evento, sustentada por presenças de grande prestígio, vindas da América Latina, Asia e Europa, com grandes nomes do panorama arquitetónico nacional e internacional como Junya Ishigami, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Annette Gigon, Paulo Martins Barata, Marie Jose Van Hee ou a dupla Pezo von Ellrichshausen.




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