Novo Banco: Mais de 2 mil trabalhadores saíram desde 2014 (e reestruturação vai continuar)

Mais de 2 mil trabalhadores saíram do Novo Banco desde final de 2014, um número que deverá aumentar face à reestruturação que o Lone Star deverá executar no banco, apesar de ainda não serem conhecidos detalhes.

De acordo com informação da Comissão de Trabalhadores, em agosto passado trabalhavam no grupo Novo Banco 5.678 pessoas (95% nas atividades em Portugal e as restantes nas operações no estrangeiro). Um número que significa uma redução de 2.044 pessoas quando comparado com os 7.722 trabalhadores que o grupo bancário tinha no final de 2014.

Já se a comparação for feita face a agosto de 2014, o momento de constituição do Novo Banco, a redução ainda é maior, já que então o banco tinha 7.887 pessoas. Contudo, o presidente da Comissão de Trabalhadores, Rui Geraldes, refere que nos meses após a resolução do BES houve muitas saídas de pessoas que procuraram alternativas de trabalho face à instabilidade que se vivia no banco, pelo que os números não são diretamente comparáveis.

A saída dos cerca de 2 mil trabalhadores do Novo Banco nestes quase três anos deu-se por várias formas, como a venda de algumas operações (com consequente redução de trabalhadores, que ficaram a trabalhar com os novos donos dessas entidades) e por saídas naturais (como reformas).

Contudo, a maioria das saídas deveu-se a processos de rescisões, reformas antecipadas e houve mesmo um despedimento coletivo, no âmbito de processos de reestruturação que a instituição levou a cabo.

Só este ano, o Novo Banco reduziu o quadro de pessoal em 418 pessoas, tendo em conta os 6.096 que tinha no final de 2016.

Também os balcões têm fechado de forma significa, tendo agora o banco 475 balcões, menos 200 do que os 675 que tinha em 2014.

Mas esses cortes não deverão ficar por aqui. Esta quarta-feira foi conhecido que a Comissão Europeia deu ‘luz verde’ ao plano de reestruturação que o fundo norte-americano Lone Star executará no Novo Banco quando concretizar a sua compra, implicando este a “alienação de atividades não principais e outras medidas de redimensionamento”, segundo Bruxelas.

Apesar de os envolvidos – Comissão Europeia, Governo, Lone Star e Fundo de Resolução bancário – não darem detalhes sobre o que tal implica, é certo que passará por mais redução de pessoal, uma vez que as contas do Novo Banco ainda são deficitárias.

“Nós entendemos que a reestruturação do banco já foi levada a cabo tendo em conta que já reduziram mais de 2.000 postos de trabalho de 2014 até à presente data e que já se encerraram mais de 200 balcões. Não será necessário ir muito mais longe”, considerou o presidente da Comissão de Trabalhadores à Lusa.

Para Rui Geraldes, o problema do banco é o crédito em incumprimento que absorve os resultados operacionais positivos, tendo acrescentado que se isso fosse resolvido “a dimensão atual do banco é boa”.

A Comissão de Trabalhadores aguarda agora com expectativa os próximos dias, depois de a reunião tida com a administração do Novo Banco no início de março não ter trazido mais informações.

Sobre a venda ao Lone Star, o representante dos trabalhadores recorda que essa não era a opção da Comissão de Trabalhadores (que preferia uma nacionalização temporária), mas espera que ponha “fim a mais de três anos de grande instabilidade na vida dos trabalhadores, que traga estabilidade ao sistema financeiro e à economia portuguesa”, recordando que o Novo Banco é dos maiores em Portugal e tem muita importância nas Pequenas e Médias Empresa (com quota de mercado de cerca de 20% a PME).

Em agosto de 2014, o Banco de Portugal decidiu pela resolução do BES e a transferência de certos ativos do BES para um banco de transição, o Novo Banco, detido pelo Fundo de Resolução bancário (entidade pertencente às instituições financeiras que operam em Portugal, mas cuja gestão é feita pelo Banco de Portugal e que consolida nas contas públicas).

Depois de a primeira tentativa de venda do Novo Banco ter falhado, no segundo processo foi escolhido o fundo de investimento Lone Star.

O contrato de promessa de compra e venda entre o Fundo de Resolução e o Lone Star foi assinado em 31 de março passado, para a alienação de 75% do Novo Banco, mantendo o Fundo de Resolução 25%, e devendo a concretização do negócio acontecer nos próximos dias.

A Lone Star não pagará qualquer preço, tendo acordado injetar mil milhões de euros no Novo Banco para o capitalizar, dos quais 750 milhões entrarão quando o negócio for concretizado e os outros 250 milhões até 2020.

Contudo, a intervenção do Estado neste processo está longe de estar concluída.

Inicialmente, para ajudar a capitalizar o Novo Banco, o Estado emprestou ao Fundo de resolução bancário 3.900 milhões de euros, cabendo aos bancos que o constituem devolver o dinheiro ao Tesouro público. Mas essa devolução será a muito longo prazo. Já este ano, o Governo acordou que os bancos poderão pagar essa dívida em contribuições regulares anuais até 2046.

Além disso, uma das condições da venda ao Lone Star implica que, durante oito anos, o Fundo de Resolução terá de compensar o Novo Banco por perdas de capital resultantes de um conjunto de ativos ‘tóxicos’, no máximo de 3,89 mil milhões de euros.

Uma vez que não deverá ter dinheiro para injetar no Novo Banco, caso precise, o Fundo de Resolução deverá ter de voltar a pedir um empréstimo ao Estado ou pode financiar-se no setor bancário (provavelmente com garantia de Estado).

Em setembro, o BCP meteu uma ação na Justiça para clarificar esta garantia, já que é dos maiores contribuintes para o Fundo de Resolução.

Por fim, esta quarta-feira, ficou a saber-se que o Estado português poderá ser chamado colocar mais dinheiro no Novo Banco, caso o banco precise de capital e não haja investidores dispostos a recapitalizá-lo. O limite desta injeção de capital não é conhecido.

Desde a sua criação e até junho de 2017, últimos dados disponíveis, o Novo Banco acumulou prejuízos de 2.527 milhões de euros.

Os últimos resultados são do primeiro semestre deste ano, quando teve resultados negativos de 290,3 milhões de euros, uma melhoria face aos 362,6 milhões de euros negativos entre janeiro e junho do ano passado.





Mais notícias