Novo Banco: Dagong Europe põe ratings sob vigilância

Agência de rating chinesa alterou a perspetiva dos ratings do Novo Banco de 'estável' para 'sob vigilância'. Incertezas em torno da venda e resultados de 2016 na origem desta avaliação.

A Dagong Europe (agência de rating chinesa) removeu a perspectiva ‘Estável’ dos ratings do Novo Banco depois da apresentação dos resultados anuais e decidiu atribuir uma nova perspectiva: “sob vigilância em evolução” (‘Evolving’ watch), ou seja não se compromete com um sentido para o futuro rating.

A classificação de ‘Sob vigilância – ‘Evolutivo’ é atribuída ao Rating de Crédito de Longo Prazo que está em ‘CCC +’ e ao Rating de Crédito de Curto Prazo que está em ‘C’, ambos quer para o Novo Banco quer para as suas subsidiárias/agências .

“A divulgação dos resultados (não auditados) do Novo Banco para o exercício de 2016 confirmou a nossa opinião sobre o seu perfil financeiro do banco, ao ter registado um prejuízo substancial de 788,3 milhões de euros (face a 929,5 milhões no ano de 2015). Esse resultado foi impulsionado principalmente por provisões líquidas significativas que totalizaram 1,4 mil milhões de euros o que compara com 1,1 mil milhões em 2015)”, diz a agência chinesa.

“Os resultados do ano estão em linha com as nossas expectativas e reafirmamos o rating [que mede a capacidade de resistir em cenários adversos sem ajuda externa] – Individual Financial Strength Assessment (IFSA)  – em ‘ccc +’, considerando ainda a forte estimativa do rácio de capital CET 1 (phasing in) de 12% em 2016 (13,5% em 2015). O facto de não ser ainda claro o desfecho da venda anunciada do Novo Banco aos norte-americanos da Lone Star leva a Dagong Europe a considerar apenas a actual estrutura acionista do Novo Banco, isto é detido a 100% pelo Fundo de Resolução. Por isso não só confirma o rating IFSA, como  mantém a Avaliação de Apoio Externo (ESA – External Support Assessment) em ‘low’. O que significa que o banco tem um baixo potencial de receber apoio externo público. A agência admite no entanto que quando foi executada a venda e tiver informações adicionais sobre a estrutura definida para o “mecanismo de capital contingente”, tal como definido pelo Banco de Portugal, então poderá rever este rating do (External Support Assessment).

Diz a agência chinesa que apesar das condições da venda do Novo Banco terem sido anunciadas pelo Banco de Portugal a 31 de março, altura em que foram assinados os documentos contratuais para a venda, o fecho da operação de venda depende da concessão das autorizações regulamentares (incluindo pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia) e também na conclusão de um exercício de gestão do passivo (LME), sujeito à adesão dos obrigacionistas, que incluirá as obrigações não subordinadas do banco e que, através da oferta de novas obrigações, permitirão a geração de pelo menos 500 milhões de euros de fundos próprios elegíveis para o cálculo do rácio CET1.

“Na nossa opinião, o cenário para o exercício de gestão do passivo (LME) não é claro, uma vez que os termos e condições da LME ainda não foram comunicados, embora tenha sido anunciado como uma operação de troca voluntária para os obrigacionistas”. Consideramos que o fecho do processo de venda está envolto em incerteza para os detentores de títulos, tendo em conta as alternativas e perdas potenciais. Consideramos que se o LME é uma condição vinculativa para o sucesso do processo de venda e para o fortalecimento da base de capital do banco, os obrigacionistas podem eventualmente ser “forçados” a aceitar o câmbio da dívida, no entanto, as condições ainda não foram divulgadas Pelo que não é possível uma avaliação da valorização das novas obrigações”, avança a Dagong.

“Consideramos que, neste momento, a informação é demasiado limitada para avaliar claramente a direcção do encerramento do processo de venda e as suas consequências para os ratings de Crédito de Longo Prazo e de Curto Prazo do banco. Esperamos informações adicionais sobre o processo de venda e as condições do LME em breve, para clarificar os possíveis efeitos sobre o perfil financeiro do banco”, dizem.

A agência faz ainda referência aos relatos na imprensa, de que um grupo de obrigacionistas que tinha Obrigações BES, que foram reenviadas para o BES mau em dezembro de 2015,  e que interpôs uma acção judicial de injunção, em Lisboa, contra o Fundo de Resolução com o objetivo de bloquear a venda, citando como motivo algumas irregularidades no processo.

A Dagong cita ainda a notícia de que o Aethel Partners se prepara para tentar judicialmente bloquear a venda do Novo Banco, alegando que tinha uma proposta de 3,8 mil milhões de euros. “Esses processos judiciais relatados, mas não oficialmente confirmados, podem adicionar mais incerteza ao resultado do processo de venda”, diz a agência.