No CDS, a ambição de sempre

Assunção Cristas fez o CDS subir no País nas últimas eleições autárquicas, nomeadamente em Lisboa, mas isso não impediu que o congresso do partido, realizado em Lamego, a reconduzisse em baixa com números mais europeus: passou dos quase 96% de há dois anos para pouco mais de 89%

De resto, o Congresso do CDS voltou a mostrar como é difícil imaginar uma realização destas apenas com um ator, neste caso uma atriz, principal. As horas tornam-se longas, os dias infindáveis, e apesar dos episódios imaginados para animar (como o das boas-vindas aos novos militantes, a homenagem a Adriano Moreira ou a antecipação da lista ao Parlamento Europeu, de novo com Nuno Melo à cabeça) a repetição da mensagem atinge um volume insuportável. E qual foi a mensagem política que Assunção Cristas quis fazer passar? Pois que o CDS, agora pouco referido como PP, está em condições de ser o maior partido da direita e, assim, liderar um próximo governo de Portugal saído das eleições em 2019. Visto desta forma, com as últimas sondagens a darem cerca de 5% ao partido em eleições nacionais, o objetivo, para além de ambicioso, parece ser tão possível como o V.Guimarães ganhar a Liga de futebol na próxima época. É um optimismo que merece respeito mas parece deslocado, mesmo se ele descende dos resultados em Lisboa, nas últimas autárquicas, quando Assunção foi segunda e conseguiu tirar a maioria absoluta a Medina.

É claro que esta mensagem tinha uma pequena dose de veneno para o parceiro natural, o PSD. Quando também se diz que o CDS já é o maior partido da direita, isso tem implícita a crítica, marginada com um pouco de despeito, do atual PSD estar dialogar com o PS. Se o PSD se pretende voltar a aproximar do centro no pós-Passos Coelho, então o CDS escolhe ser orgulhosamente de direita.

Nas mensagens finais, até nas palavras do convidado Rui Rio, pôde constatar-se que tudo ficou na mesma. Ambos os partidos se escolherão mutuamente para repetir o passado. Se isso for possível, claro. Resta perceber se os eleitores compreendem e dão importância às nuances discursivas com que tudo continua como sempre esteve, apenas com a vantagem, para o CDS, de ser liderado por uma mulher inteligente e simpática, o que nestes tempos que vivemos não deixa de ser distintivo e uma aparente vantagem na relação com o País. Na relação com o partido continua a ser. O CDS gosta de Assunção Cristas e ela adora estar na política.




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