Caso se dissipem os principais receios geopolíticos na UE, com as eleições francesas à cabeça, o efeito negativo daqueles nos mercados financeiros de risco pode representar uma oportunidade.

 

Os riscos geopolíticos têm condicionado as expectativas para os mercados europeus nos últimos trimestres, e tal não tem acontecido sem uma razão. Ao momento débil relacionado com a inflação na zona euro, juntou-se um ciclo eleitoral complicado em países chave da União Europeia (UE), e com potencial para criar um efeito de desagregação do projeto comum, levantando para os investidores um cenário de risco de redenominação de moeda. Muitas destas questões mantêm-se vivas, com as eleições francesas a liderar as preocupações de quem vê num “Frexit” o fim da zona euro como a conhecemos. O crescente sentimento antiglobalização na Europa associado aos permanentes atentados terroristas em países centrais da UE são ingredientes adicionais que têm vindo a sustentar o proteccionismo – um obstáculo económico para a própria sobrevivência do modelo de comércio europeu.

Existem contudo alguns sinais positivos. Os esforços levados a cabo pelo Banco Central Europeu (BCE) estão a prevalecer, e os riscos de deflação parecem ser bastante menores hoje do que há um ano atrás. Facto, aliás, que tem começado a criar alguma divergência no comité de política monetária do BCE, onde algumas vozes consideram que os riscos hoje são mais equilibrados e que a autoridade deve começar a pensar em reduzir os estímulos.  Este maior otimismo ficou visível também nas projeções do banco para a inflação em 2018, que espera que a inflação subjacente ou core acelere até aos 1,8%, suportados no crescimento dos salários. A juntar a isto, os inquéritos de sentimento da atividade (PMI) de março sinalizam um crescimento acima da expectativa para países como a Alemanha e Espanha. Apesar da fragilidade se manter em países como França ou Itália, o cenário global está mais longe de indiciar uma recessão na zona euro.

Isto significa que, caso se dissipem os principais receios geopolíticos na UE – com as eleições francesas à cabeça –, o efeito negativo que estes fatores têm vindo a ter nos mercados financeiros de risco pode representar uma oportunidade. Os resultados das empresas deverão beneficiar das melhorias na atividade e o impacto dos riscos políticos deixou os múltiplos de avaliação de preço associados, a desconto do que é normal para um mercado desenvolvido. Eis uma oportunidade que um resultado pró-euro nas presidenciais francesas pode vir a espoletar. Embora estejam empatados nas sondagens da primeira volta, as mesmas indicam que Macron vencerá Le Pen por larga margem na segunda ronda. Importa, contudo, não esquecer que as sondagens já nos pregaram partidas no passado recente.

 

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