Mundial, dia 17: Portugal sai do Mundial a jogar bem e a merecer mais

O dia foi marcado por dois grandes jogadores do Paris-Saint Germain. Mbappé, uma estrela em ascensão acelerada, destroçou a Argentina pela velocidade e potência; Cavani, um lutador contrastado, derrotou Portugal pela força e capacidade de concretização. O resultado foi que Messi e Cristiano Ronaldo voltam a casa no mesmo dia

Portugal fez um bom jogo, não merecia ter perdido, mas bateu contra uma muralha. Ao Uruguai valeram os dois lances de génio de Cavani e a forma eficiente como defende. Nada a dizer. A seleção nacional fez tudo o que podia, Fernando Santos lançou mão de todas as soluções que possui – e pôde, finalmente, contar com um grande Bernardo Silva. Não chegou, o que acaba por ser algo injusto face ao que se viu sobre o relvado.

O dia foi marcado por dois grandes jogadores do Paris-Saint Germain. Mbappé, uma estrela em ascensão cada vez mais acelerada, destroçou a Argentina pela velocidade e potência; Cavani, um lutador contrastado, derrotou Portugal pela força e capacidade de concretização. O resultado foi que Messi e Cristiano Ronaldo, cujas vidas tantas vezes têm andado sintonizadas, regressaram a casa no mesmo dia, após exibições individuais frouxas. O título mundial de seleções é coisa que, provavelmente, faltará mesmo ao galáctico currículo de ambos.

Volto ao ‘nosso’ jogo. O primeiro golo uruguaio, que teve um papel importante no desenrolar do duelo, foi uma obra-prima confeccionada num triângulo de larga distância que define a qualidade dos jogadores: Cavani-Suarez-Cavani. A equipa de Óscar Tabárez conseguiu assim fazer o que queria e é melhor para as suas características: entregar o jogo e barricar-se na grande área sob o comando das suas duas torres, Godin e Jiménez, companheiros com rotinas testadas no Atlético de Madrid.

A seleção portuguesa só depois do intervalo conseguiu meter no jogo a velocidade necessária para abrir algumas brechas na defesa do Uruguai. O golo de Pepe, na sequência de um canto, com uma entrada magnífica, deu justiça ao resultado. Sempre, ao longo do encontro, se viu que Portugal tem melhor equipa, mais valores individuais. Finalmente o meio-campo português apresentou a sua versão de gala. William forte e tentacular, João Mário muito bem (sobretudo quando foi para o meio, rendendo Adrien para abrir as alas à entrada de Quaresma) e Bernardo Silva ao seu nível, em todo o campo, a atacar e a defender.

O jogo português teve dois pontos fracos. Um foi a exibição individual deficiente de Raphael Guerreiro na primeira metade; o outro foi, comparativamente, a diferença entre o rendimento dos avançados. Cristiano Ronaldo nunca conseguiu arranjar oportunidades, embora tivesse estado sempre aplicado e trabalhador; e Gonçalo Guedes não tem na seleção o espaço de conforto que o rentabiliza em Valência. Precisa de partir longe da baliza, para ligar o tal acelerador motorizado e aplicar o remate. Na seleção, por via das necessidades do jogo do capitão, fica preso à área, limitado.

Esta Taça do Mundo, a que impropriamente chamamos campeonato, não tem espaço para deslizes. Portugal abandona mas realizou uma prova à altura. Não há motivo para desilusões. A seleção mostrou que continua a competir de igual para igual com qualquer adversário ao mais alto nível. Quem ganhar vai fazê-lo como Portugal, no Europeu, há dois anos: por pormenores e uma pitada de sorte. É assim que devemos ver esta expedição ao Rússia’2018.

O França-Argentina foi o melhor jogo do Mundial até ao momento. Golos espetaculares, alternância no marcador, um ‘tsunami’ chamado Mbappé, o homem que resolveu o jogo e parece destinado a fazer a diferença nos próximos anos ao lado de Neymar. São a dupla do momento e do futuro. E mesmo assim, no último lance, a Argentina esteve perto do empate! Ganhou a melhor equipa, aquela que tem um jogo linear e vertical, mas em próximas oportunidades, contra adversários mais organizados, pode ser demasiado evidente a falta de jogadores capazes de ligar e coser. Kanté não pode fazer tudo.

A Argentina assumiu o seu papel de desafiador, e não favorito, ao abdicar de um ponta-de-lança de início. Nem Higuain nem Aguero (que só entrou depois). Ficou Messi a fazer de falso avançado. E, em consequência, até de falso Messi. Apesar das duas assistências, esteve apagado. Pode ser que este tenha sido, tal como foi para Mascherano, o último jogo pela seleção, a qual não acrescenta nada à sua carreira, até porque a equipa é muito desequilibrada. Nos próximos dias se saberá.

Quanto a Ronaldo devemos esperar que continue a representar a seleção nacional depois de digerir a azia provocada pela derrota. Com ele, Portugal tem uma equipa melhor.




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