Moody’s prevê descida gradual da dívida e PIB de 1,7% em 2018

Duas semanas depois de manter o rating português inalterado, a agência é menos otimista do que o Governo nas previsões. Alterações à notação poderão acontecer se Portugal diminuir a dívida e acelerar a consolidação orçamental.

A agência de notação financeira Moody’s considera que a evolução da economia portuguesa tem sido positiva, mas antecipa um crescimento económico menos otimista do que o Governo. Num relatório anual sobre Portugal divulgado esta sexta-feira, a Moody’s prevê uma deterioração do défice e descida gradual do rácio da dívida face ao PIB.

“O perfil de crédito de Portugal é suportado pela recuperação económica, pelo regresso aos mercados de capitais privados, pela diversificação da economia e pelos níveis relativamente elevados de riqueza média”, refere o vice-presidente da Moody’s e co-autor do relatório, Evan Wohlmann, sobre Portugal.

A Moody’s avalia o rating nacional em Ba1, o último nível de ‘lixo’, com perspetiva estável, e destaca a elevada dívida pública como um dos principais problemas que impede o país de subir ao nível de investimento. O relatório sublinha que o rácio da dívida pública em Portugal é um dos mais elevados da União Europeia e do conjunto dos países com o mesmo rating.

“A principal restrição de crédito em Portugal está relacionada com a elevada dívida pública. Apesar de esperarmos que o rácio da dívida face ao PIB comece a diminuir este ano, qualquer redução da dívida será apenas gradual”, acrescenta o analista sénior.

A Moody’s antecipa, assim, que a dívida portuguesa desça gradualmente, suportada por um excedente primário médio de 2,3% nos próximos dois anos e um crescimento nominal moderado do PIB. Em 2020, a dívida deverá ficar próxima de 125% do PIB, segundo a agência, um valor que compara com o rácio de 130,4% do PIB registado no final do ano passado. A meta do Governo é que a dívida caia para 127,9% este ano.

“Depois da melhoria do défice para 1,8% do PIB em 2017, a Moody’s prevê que o défice governamental português se deteriore ligeiramente em 2018 para 2,0% do PIB, em comparação com uma previsão das autoridades portuguesas de um défice de 1,0% no próximo ano, dado a previsão da agência de rating de um crescimento mais moderado e um aumento maior na despesa”, explica o relatório.

Apesar da diferença entre a previsão do Executivo de António Costa e da Moody’s, ambos esperam que o défice fique abaixo da meta da Comissão Europeia, de 3%, que permite a Portugal ficar fora do Procedimento por Défice Excessivo.

Quanto ao crescimento económico, a Moody’s prevê uma expansão do PIB para 1,7% este ano e de 1,4% no próximo ano. Os valores comparam com uma estimativa de crescimento de 1,8% para 2017 do Governo, do Banco de Portugal e da Comissão Europeia.

“O rating da dívida pública de Portugal poderá ser upgraded se a consolidação orçamental e a redução da dívida acelerarem significativamente em comparação com as expetativas. Um crescimento económico mais forte seria também benéfico para a notação”, explicou a agência.

“Apesar da aceleração do crescimento a curto prazo, as perspetivas económicas a longo prazo continuam a ser moderadas. Isto reflete as restrições em curso, incluindo a persistência de elevados níveis de endividamento do setor privado, agravados pela fraqueza do setor bancário”. Sobre a banca, a Moody’s volta ainda a destacar pela negativa o elevado nível de crédito mal-parado.





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