Mexia: “os números do PIB são uma boa notícia para todos”

O CEO da EDP espera que o forte crescimento económico do primeiro trimestre se mantenha pois ajuda a criar emprego. Fernando Ulrich, presidente do BPI, acredita que a tendência de crescimento "está no princípio".

Os valores do crescimento económico divulgados esta segunda-feira pelo INE – com uma expansão de 2,8% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre, a maior em quase uma década – agradaram a António Mexia, CEO da EDP-Energias de Portugal.

“Os números do PIB são uma boa notícia para todos. Esperemos que se mantenham, essa é a questão essencial. A questão mais importante para Portugal é o crescimento, porque o crescimento cria emprego”, explicou Mexia, à margem da cerimónia de lançamento do Movimento pela Utilização Digital Ativa – MUDA na segunda-feira.

O CEO adiantou que tem a convição que independentemente de Portugal, uma pequena economia muito dependente da realidade externa, que é neste momento favorável nomeadamente no que diz respeito aos níveis de taxas de juro, “se estão a passar coisas em Portugal muito positivas”, salientando “algumas reformas que estão a ser feitas para que este crescimento seja duradouro”.

Mexia reiterou que o crescimento é a questão mais importante para Portugal. “E a produtividade é o fator essencial para esse crescimento. Produtividade e investimento, e nós como o maior investidor em Portugal e maior investidor português no estrangeiro estamos obviamente a contribuir para esse crescimento”.

Riscos políticos

Eduardo Catroga, Chairman da elétrica, salientou a consolidação da retoma.  “São boas notícias, e felizmente está em curso um processo de consolidação da retoma da economia que começou em 2015”.

Catroga, ex-ministro das Finanças, salientou que essa consolidação “está a acontecer com o perfil que eu e outros sempre defendemos, que é o perfil saudável para a economia. Isto é, um perfil com drivers fundamentais – as exportações, o investimento, e só depois o consumo. Isto para permitir o equilíbrio externo”.

Explicou ainda que “é pena ainda não termos criado condições para a redução da dívida pública, mas este é um sinal positivo de um trimestre, que ainda é um período muito curto, e é preciso que este sinal se repita nos próximos trimestres e nos próximos anos para voltarmos a ter um crescimento sustentado”.

Para o Chairman da EDP, os riscos são essencialmente políticos. “Não nos podemos esquecer que temos uma solução politica incoerente. Independentemente da habilidade do primeiro-ministro para gerir os seus parceiros, os seus parceiros são contra a globalização, são contra a União Europeia, são contra o euro”.

Vincou, no entanto que fica “muito contente com o processo de reconversão em curso, de alguns segmentos da esquerda, de alguns segmentos do Partido Socialista, aos bons princípios da disciplina financeira, e aos bons princípios de politica económica no contexto de uma economia de mercado”.

Papel do turismo

Também Fernando Ulrich, que é ainda CEO do BPI enquanto aguarda autorização do BCE para passar a Chairman do banco, falou aos jornalistas sobre os números dívulgados pelo INE sobre o PIB de janeiro a março deste ano.

“É muito bom, fico muito contente. Eu penso que de alguma maneira nós vemos isso, andando pelo país sente-se que a economia está melhor. Obviamente que em Lisboa e no Porto, com o boom do turismo isso é ainda mais visivel pois o turismo tem tido um papel muito importante nesse crescimento”, explicou. “Fico contente e isso dá nos ânimo para o futuro, e o que Portugal mais precisa é de crescer porque os défices estão bem controlados”.

Questionado se acredita que a tendência de crescimento é sustentada, respondeu: “Eu penso que nós estamos numa subida, aceleração de crescimento em Portugal, e por isso não vou fazer previsões de números, mas o que sinto é que há uma tendência de crescimento que está no princípio”.





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