Mercado de trabalho em Portugal: nem tudo são boas notícias e o Financial Times explica porquê

O “Financial Times” analisou o mercado de trabalho em Portugal e tirou duas conclusões pouco animadoras: o número total de horas trabalhadas em 2017 foi 7% inferior em comparação com 2007 e o número de empregos diminuiu cerca de 5%.

A experiência portuguesa com a crise do Euro foi uma desagradável experiência híbrida para Grécia e Itália, mas hoje em dia Portugal está bastante melhor que ambos os países. De acordo com a análise do “Financial Times”, o mercado de trabalho por exemplo encontra-se agora melhor do que em qualquer outra altura, desde que os dados começaram a ser revelados em meados dos anos 90.

No ano passado, a taxa de emprego em pessoas entre os 25 e 54 anos era de quase 85%, uma experiência quase única na zona Euro que deixa Portugal com níveis quase idênticos aos da Alemanha. A melhoria da economia portuguesa nos últimos anos revelou também ser um grande apoio na posição fiscal do governo.

Se excluirmos a série irregular denominada por “outras transferências de capital”, a capacidade líquida de financiamento do setor público nacional passou dos -10% do Produto Interno Bruto (PIB), para essencialmente 0% no final de 2017. Segundo o “Financial Times” não existe uma razão concreta para Portugal ter (ou não) conseguido os seus objetivos onde outros países falharam.

No entanto, nem tudo são boas notícias para Portugal. Nos dados disponibilizados pelo “Financial Times” o número total de horas trabalhadas no nosso país em 2017 foi 7% inferior em comparação com 2007, enquanto o número de empregos diminuiu cerca de 5%.

As ligações entre estes números estão relacionadas com a emigração massiva e um decréscimo na imigração. Entre 2008 e 2016 cerca de 340 mil pessoas saíram de Portugal das quais 320 mil eram de nacionalidade portuguesa tendo regressado 220 mil, sendo 120 mil portuguesas. Centenas de milhares de portugueses desempregados saíram para várias partes da União Europeia, para encontrar trabalho, com especial destaque para a Alemanha e Reino Unido.

O lado positivo foi a melhoria da posição fiscal apesar da saída de milhares de cidadãos em idade ativa de trabalho. O pico da emigração surgiu entre 2012 e 2013 e daí para cá tem vindo a diminuir, mas os números indicam que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer.




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