Mercado das flores vale 500 milhões e atrai multinacionais

Grupo estrangeiro Interflora anunciou esta semana a entrada no mercado nacional, onde quer construir uma rede com 150 a 200 floristas. Mercado tem reforçado volume de negócios e aumentado as exportações, que já valem entre 15% e 20% do total.

O mercado nacional das flores, entre flores de corte e plantas envasadas, deverá valer cerca de 500 milhões de euros de receitas por ano, segundo revelou ao Jornal Económico Vítor Araújo, vice-presidente da APPP-FN – Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais. Desse montante, cerca de 15% a 20% destina-se à vertente de exportação, um segmento em constante crescimento. Este dinamismo é uma das razões que explica por que é que esta semana, um dos líderes mundiais do setor, a Interflora, anunciou a sua entrada no mercado nacional.

“Portugal é uma grandessíssima oportunidade para nós, em particular no que respeita às oportunidades de comércio eletrónico. Por outro lado, a economia portuguesa está a recuperar”, explicou Eduardo Gonzalez, CEO da Interflora Espanha, em declarações exclusivas ao Jornal Económico. A Interflora já garantiu uma rede de cerca de 60 floristas em Portugal, mas o seu objetivo é chegar a  um total entre 150 e 200 floristas nacionais.

O vice-presidente da APPP-FN considera positiva esta entrada da Interflora no mercado nacional. “Penso que é benéfico. Penso que é positivo tudo o que seja facilitador da entrega de flores ao consumidor final e, por isso, vejo com bons olhos essa notícia, penso que é muito boa para o setor”,  defendeu Vítor Araújo.

Eduardo Gonzalez assume que a entrada do grupo no mercado nacional de flores “é um compromisso firme da Interflora” e avança que “vemos oportunidades especialmente no comércio de flores online em Portugal, para o qual estamos a preparar uma teia completamente adaptada ao mercado português”. A empresa renovou a sua página na web para adaptá-la a todos os dispositivos. O comércio eletrónico já responde por 70% dos pedidos recebidos pela Interflora.

A Interflora Espanha registou vendas de 15 milhões de euros no ano passado, respeitantes a cerca de 250 mil pedidos. A empresa tem no país vizinho uma rede de 1.600 floristas. Para o presente exercício, Eduardo Gonzalez prevê um aumento do volume de negócios entre 2% e 4%. Segundo os dados disponibilizados pela Interflora, em média, um comprador de flores realiza um pedido e meio por ano, gastando cerca de 50 euros. Cerca de 35% das encomendas de flores solicitadas à Interflora ocorrem no Dia dos Namorados (São Valentim) e no Dia da Mãe.

A marca Interflora nasceu em 1980 e está presente em 150 países, com uma rede de 55 mil floristas e mais de 10 milhões de encomendas respondidas por ano. Em cada dia, cerca de 30 mil clientes de vários pontos do Globo confiam na Interflora. Em Espanha, a Interflora opera desde 1951, tendo registado mais de 10 milhões de encomendas até ao momento.

Em Portugal, o mercado das flores tem beneficiado das mais recentes melhorias nas técnicas de produção e dos investimentos realizados. Segundo Vítor Araújo, nos últimos anos “aumentámos em cerca de 10% as exportações e reduzimos as importações em cerca de 20%”.

No que respeita ao segmento das flores de corte, o grosso das exportações vai para Espanha e para a Holanda, sendo também esses países as principais origens de importações. No segmento das plantas envasadas, os principais mercados de exportações são a França, Inglaterra e Itália.

Os principais centros de produção de flores em Portugal, além da ilha da Madeira, são a região do Montijo, que inclui os concelhos de Alcochete e de Palmela. Esta região é responsável por cerca de 70% da produção de flores em Portugal, estando aí localizadas cerca de 200 hectares de estufa. Vítor Araújo refere que existe ainda um outro grande centro produtor de flores em Portugal, na Costa Vicentina, na região de Odemira, essencialmente assegurado por produtores holandeses. As regiões de Aveiro e de Chaves também têm relevância neste setor. No segmento de plantas envasadas, os maiores focos de  produção localizam-se nas zonas Centro e Norte do País.

Para o vice-presidente da APPP – FN, as datas festivas são os pontos altos do mercado de flores em Portugal, a saber: Natal, Dia dos Namorados, Dia da Mãe, Dia da Mulher, Dia de Finados e Páscoa. Além do consumidor final, um parceiro estratégico dos produtores de flores são as grandes superfícies.

Segundo os dados do INE – Instituto Nacional de Estatística, em 2012, as principais áreas de plantação de flores de corte em Portugal eram ocupadas pela prótea, gladíolo, crisântemo, gerbera, rosa, lírio, cravo e cravina.





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