Marques Mendes: “O Novo Banco vai ter de fechar 40 a 50 balcões”

O comentador elogiou o acordo e os seus protagonistas, mas admitiu que "o Novo Banco não foi vendido, foi dado".

Luís Marques Mendes disse hoje na SIC, no seu habitual comentário, disse que “o Novo Banco não foi vendido, foi dado”. Mas “não havia melhor solução. Todas as outras eram bem piores”.

“A liquidação seria um desastre e a alternativa da nacionalização era transformar o Novo Banco num mega-BPN”, reafirmou.

“Há aqui uma negociação que foi muito bem feita pelas autoridades portuguesas”, diz Marques Mendes que congratula o Governo, o Banco de Portugal e Sérgio Monteiro que foi o negociador deste acordo. “Portugal conseguiu atrair para um banco português investimento estrangeiro, que Itália, por exemplo, não consegue” realça. Para além de se ter posto fim a “um clima de incerteza”, acrescenta.

“Diminuiu-se em grande medida o risco para os contribuintes e conseguiu-se impor a condição ao Lone Star de durante oito anos o Novo Banco não distribuir resultados (dividendos), estes ficam no banco para não descapitalizar a instituição”, refere ao mesmo tempo que critica a imposição de Bruxelas de o Fundo de Resolução não poder ter  voto nos órgãos sociais do Novo Banco.

Redução de balcões e redução de trabalhadores: “Bruxelas impôs uma redução de balcões, menos 40 a 50 balcões, e redução do número de trabalhadores. O tecto anterior era 5.900 e agora baixou para os 5.300 trabalhadores (não é uma redução de 600 trabalhadores, porque o banco já só tem 5.500 trabalhadores, porque foi além da meta de Bruxelas, mas é uma redução de trabalhadores)”, diz.

“Isto também é um bom negócio para o Lone Star, porque é um banco com muito potencial, sobretudo junto das PME, e muito bem gerido”, e ajuda ao slogan do Governo de que “resolve os problemas da banca, ficando só a faltar o ‘banco mau’, que ainda ninguém percebeu se avança ou não”, diz o comentador.

“Nas circunstâncias foi o negócio possível, foi a melhor das soluções”, diz Marques Mendes que admite que “se este negócio fosse feito há um ano e meio, com o anterior Governo, ouviam-se muito mais vozes contra a dizer que tinha sido vendido ao desbarato e a um fundo abutre, os contribuintes é que vão pagar”.

“António Costa converteu-se a Bruxelas”, conclui. “O PCP e o Bloco de Esquerda estão domesticados por António Costa”, explica ainda Marques Mendes.

Marques Mendes sobre alegado convite a Mário Centeno para liderar Eurogrupo: “Não é uma partida de 1 de abril?”

Luís Marques Mendes não acha muito credível a notícia de que Mário Centeno tenha sentido “sondado” para presidente do Eurogrupo para substituir Jeroen Dijsselbloem . Achou mesmo que era uma notícia de 1 de abril e diz que “não seria muito credível ter o ministro das Finanças de um governo da chamada ‘geringonça’, que não é muito apreciado por Bruxelas a presidente do Eurogrupo, ainda por cima de um país que ainda não saiu do Procedimento por Défices Excessivos”, revela.

“Se esta hipótese fosse para levar a sério António Costa não teria oposição. Porque seria um prestígio para Portugal”, avançou o comentador.

2017 vai ser um dos melhores anos em crescimento económico

Marques Mendes comentou as previsões do Banco de Portugal: Crescimento do PIB de 1,8% em 2017; crescimento de 1,7% em 2018 e de 1,6% em 2019. “Tenho dito que 2017 vai ser um dos melhores anos em crescimento económico”, lembrou.

“Este ano vamos ter mais e melhor crescimento, com investimento finalmente a subir, a exportações a aumentar e o desemprego a baixar”, diz Marques Mendes que admite que o desemprego chegue abaixo dos 8% em 2019. “O ciclo económico é altamente favorável a António Costa e por isso está a trabalhar para a maioria absoluta nas eleições e o PSD/CDS arriscam-se a ficar oito anos na oposição”, conclui.

 

Mais notícias
PUB
PUB
PUB