Marques Mendes: “Em matéria de metas este programa de estabilidade de Costa não difere muito de um de Passos”

"Este programa de estabilidade é feito para agradar a Bruxelas e às agências de rating, e vai conseguir agradar", diz Luís Marques Mendes no seu comentário de domingo na SIC.

A lei que obriga a tornar públicos valores e destinos, no âmbito das transferências para offshores, foi promulgada pelo Presidente da República. Este foi o tema de abertura escolhido pelo comentador Luís Marques Mendes, que aproveitou para lembrar que de forma recorrente o Ministério Público, em temas mediáticos, anuncia que vai “abrir um rigoroso inquérito”, promete “abrir uma investigação” e depois o tempo passa e não há desenvolvimentos.

Programa de Estabilidade e Programa Nacional de Reformas

Os dois programas foram aprovados na semana passada e Marques Mendes aproveitou o seu espaço de opinião para os comentar.

“O programa de estabilidade é o mais importante porque é o quadro económico-financeiro para os próximos cinco anos”, diz o comentador que considera que o Programa Nacional de Reformas é apenas “um conjunto de intenções”.

“Este programa de estabilidade é feito para agradar a Bruxelas e às agências de rating, e vai conseguir agradar”, diz Luís Marques Mendes.  “Vai no fundo ajudar a que já em maio Portugal saia da lista negra de países com défices excessivos e isso é bom”, acrescenta. Depois pretende agradar às agências de rating com o objectivo de que, lá para o fim do ano, retirem Portugal de lixo, ou seja, que melhorem a notação da República diz o comentador.

Marques Mendes disse mesmo que este programa de estabilidade é feito para agradar à “ortodoxia europeia”, e citou a questão do défice. “Em matéria de metas este programa de António Costa não difere muito de um programa que pudesse ser definido por Passos Coelho”, diz Marques Mendes.

“O Programa de Estabilidade, se for cumprido, é uma espécie de programa eleitoral do PS para as eleições de 2019”, avançou o comentador.

Este programa aponta para que, até 2019, a economia esteja a crescer mais de 2%. “A economia alavancada em mais investimento e mais exportações. O desemprego a baixar para 8% ou 9% e um défice público praticamente a zero é muito difícil perder eleições com este programa”, refere. O fim da sobretaxa prevista para 2018 e a reforma dos escalões de IRS é para 2019, ano de eleições. O ciclo político ajuda António Costa, e este cenário não torna a vida fácil à oposição, explica o comentador.

O que pode fazer ruir este programa é se houver uma crise internacional que comprometa a retoma económica internacional, refere Marques Mendes.

Nas eleições francesas joga-se o futuro da União Europeia, comentou também Marques Mendes, que citou os vários cenários de passagem à segunda volta dos vários candidatos em jogo. Nomeadamente se passarem os dois candidatos dos extremos: esquerda e direita. Marine Le Pen e Emmanuel Macron estão empatados nas sondagens para a primeira volta, que se realiza no dia 23 de abril.