Marques Mendes: “É muito provável que a Santa Casa seja acionista do Montepio com cerca de 10%”

Sobre o caso da semana da investigação ao contratos da EDP, Marques lembrou ainda que "Passos Coelho foi de facto o único que cortou nas rendas do Estado à EDP".

No seu habitual comentário na SIC, no domingo à noite, Luís Marques Mendes realçou que o Governo Pedro Passos Coelho foi o único que cortou nas rendas do Estado à EDP. “Isto foi muito discutido no tempo da troika e Pedro Passos Coelho foi o único que cortou as rendas, é verdade, mas ficou a dúvida se podia ter ido mais longe”.

O Ministério Público está a investigar as rendas que o Estado paga à EDP, e por isso foi introduzido um plano criminal que ninguém estava à espera. “A justiça tem de actuar”, disse.

“O Bloco de Esquerda vai voltar a introduzir o tema das rendas excessivas, que nunca ficou totalmente arrumado no tempo da troika, apesar dos fortes cortes que existiram, vai retomar o assunto das rendas excessivas no Parlamento e vai ser um berbicacho para o PS e PSD porque vão querer votar contra”, disse o comentador.

Greves estão de volta

Professores, enfermeiros e juízes ameaçam avançar com greves se as reivindicações não forem ouvidas. “Para mim tem a ver com motivos políticos este tipo de greves. Primeiro estamos em ano de eleições autárquicas. O PCP quer demarcar-se do PS. Depois há razões que não são políticas, é a consequência da convicção de que já há folga financeira e por isso reivindicam o aumento da despesa do Estado, por isso os sindicatos fazem pressão. Mas não há grande folga”, disse.

“Estamos a diminuir o défice mas não passámos de pobres para ricos”, disse Marques Mendes. O PIB agora é de 175 mil milhões de euros. É um bom resultado, melhor dos últimos 11 anos, mas a riqueza nacional já foi maior em 2008, no terceiro trimestres era 182 mil milhões. Temos que crescer mais e transformar este pico de crescimento num planalto. Temos que reduzir o défice, mas também a dívida. Em 2010 as receitas do Estado davam para pagar as despesas do Estado sensivelmente até principio de outubro, a partir daí o país tinha de pedir dinheiro emprestado. Agora as receitas dão para pagar as despesas até dezembro, melhorámos, mas continuamos a pedir emprestado. Não é só dívida antiga, o país continua a endividar-se”, disse, acrescentando que “não podemos deitar tudo a perder”.

“Acho um absurdo uma greve de juízes porque não são trabalhadores por conta de outrem, são um órgão de soberania, mas acho ainda mais absurdo fazer a greve no mês de agosto, pois prejudica o processo eleitoral, porque são os juízes que têm de autorizar as candidaturas autárquicas”, disse Marques Mendes que acrescenta que “os juízes têm razão na questão de fundo, que é o estatuto, e o Governo tem de ter abertura para mudar algumas questões nos estatutos, pois os juízes têm razão”.

“As manifestações da CGTP e a entrevista de Catarina Martins revelam mal-estar no PCP e BE, isto por causa das eleições autárquicas, e do número de câmaras”. No caso do PCP se perder câmaras pode levar a que a ala mais ortodoxa questione a utilidade do acordo parlamentar com o Governo, explicou. O caso do Bloco, não tem peso autárquico, mas preocupa-se com a maioria absoluta do PS, porque essa torna o BE dispensável na formação do Governo, e afasta o partido de Catarina Martins do sonho de ir para o Governo, refere o comentador.

Futuro do Montepio

“É muito provável que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entre, de facto, no capital da Caixa Económica Montepio Geral. A concretizar-se será com uma participação que pode chegar aos 10% do capital”, disse Marques Mendes.

“É muito provável que não entre sozinha e que possa entrar mais uma ou outra Misericórdia. Esta semana há uma reunião importante a esse respeito entre o provedor da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e o presidente da União das Misericórdias, Manuel Lemos para aprofundar esta ideia”, revelou o comentador.

“Finalmente os órgãos de soberania, Governo, Presidente da República e Banco de Portugal estão a apoiar fortemente esta decisão”.

Recorde-se que o Expresso deste fim de semana noticiou que o Governador do Banco de Portugal e o provedor da SCML encontraram-se na tarde da sexta-feira, dia 26 de maio, a pedido de Pedro Santana Lopes, que queria mais informação sobre o ponto de situação do Montepio e conhecer a visão de Carlos Costa sobre este processo.

Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias, admitiu, em entrevista ao Dinheiro Vivo, que poderá juntar-se à SCML no negócio do Montepio, quer enquanto União quer através de outras misericórdias individualmente.

Manuel Lemos admitiu criar um veículo para entrar no capital da Caixa Económica Montepio Geral. Veículo esse que juntaria todas as misericórdias, sendo a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o parceiro essencial neste projecto, mas juntando outras como a Santa Casa da Misericórdia do Porto. No entanto admitiu que essa solução ainda não estava a ser discutida.

Segundo o Expresso a Santa Casa de Lisboa não entrará sozinha no capital do banco, para o qual tem sido pressionado a fazê-lo “Sozinhos, nunca”, terá dito Santana Lopes segundo o Expresso.

Marques Mendes falou ainda dos dados económicos e disse que “com os dados do INE que vieram público [crescimento de 2,8% no fim do 1º trimestre] o mais provável é que este ano tenhamos um crescimento entre 2,5% e 3%, isto é muito bom”, concluiu.

Luís Marques Mendes abortou outros temas. Nomeadamente a escolha do embaixador Júlio Pereira Gomes para chefe das secretas. O Governo mantém a confiança nesta escolha. “Sobre as polémicas à volta da escolha, era bom que tudo se esclarecesse, e que para além da ida ao Parlamento do embaixador que fosse ouvidas outras pessoas, nomeadamente Jaima Gama que era ministro dos negócios estrangeiros quando Pereira Gomes estava como embaixador em Timor”.

Sobre o Acordo de Paris diz que Donald Trump manteve a decisão de sair por razões políticas, isto é para desviar as atenções das outras polémicas, considera Marques Mendes. As consequências desta saída dos EUA são positivas porque “acabou por unir o mundo em torno do Acordo de Paris, uniu o mundo no combate às alterações climáticas. O Acordo de Paris saiu reforçado”, sublinha citando o caso da China (um dos países mais poluentes do mundo).

Marques Mendes desvaloriza a importância da adesão dos Estados Unidos ao acordo, logo “há aspectos muito positivos e os negativos  não são tão negativos quanto isso”, diz.

(atualizada)

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