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Mário Soares, um génio político incongruente

Somos livres porque Mário Soares esteve do nosso lado contra os comunistas. Não tivesse tido o discernimento e a coragem de o fazer, e a vida da geração dos meus avós, dos meus pais, e a minha, teria sido desgraçada. Por isso estou-lhe profundamente grato.

Mas Mário Soares foi muito mais que esse momento. Era o ‘bochechas’ que perdeu para Sá Carneiro e para quem ia perdendo o centro político. Não fosse Camarate como teria sido a carreira política do então líder do PS?

Soares foi o primeiro-ministro da austeridade que, 30 anos depois, criticou em nome de interesses que, quando necessário, combateu. Ganhou a presidência com coragem e 8% nas sondagens. Mas teve azar com as duas maiorias absolutas de Cavaco.

Implacável, não aceitou que o país não precisasse dele. Entrincheirado numa esquerda à qual não pertencia, defendeu um mundo diferente daquele que ajudou a fazer. O último Soares combatia ainda, mas contra a inevitabilidade do fim, luta para a qual qualquer coisa servia.

  • John

    Só o 1º paragrafo tem valor… tem a força da verdade!
    Note-se no entanto que peca por não incluír a luta contra a ditadura e a adesão à CEE. Passos que instalaram e consolidaram a Democracia por cá! É tão só mais do que alguém alguma vez fez por Portugal, pelo menos após a instauração da República!

    Todo o resto do texto não passa da opinião de alguém que é politicamente inimigo de Soares…