Manuel Pinho e os partidos

O caso Manuel Pinho é uma nova oportunidade para constatarmos como o regime funciona.

PCP e o Bloco de Esquerda estão calados, esquecidos de como viam o mundo quando não estavam comprometidos com o apoio a um governo.

O CDS há muito que baixou o periscópio e submergiu na discussão destes casos – deve deixar passar mais algum tempo.

Só o PSD, principal partido da oposição e aquele que tem maior grupo parlamentar, opta por uma tímida chamada do ex-ministro da Economia para ser ouvido na casa da República. O novo líder tinha de fazer qualquer coisa, não?

O PS, que não tem uma palavra para os seus camaradas com cartão passado, de Sócrates a Vara, finalmente anuiu, já hoje, com a iniciativa do PSD: sim, realmente, faz sentido ouvir Manuel Pinho, aquele “independente”.

E este, para fechar o círculo, que remédio, lá irá, mas só depois de ser ouvido pelo MP no caso EDP, em que é arguido. Como diz Sá Fernandes, habitual advogado destes processos famosos, “o Doutor Manuel Pinho (…) agradece a oportunidade”. E virá, avisado com “antecedência razoável”, seja lá o que isso for.

É de crer que, depois de toda esta extraordinária agitação política, bem demonstrativa da energia com que todos os partidos se indignam quando estão em causa factos que comprometem a saúde do regime, a luta política possa agora voltar ao habitual frenesim. Este passa, como sabemos, sobretudo pelos restaurantes, onde fraternalmente se debatem os negócios e pelos canais de cabo, onde raivosamente alguns titãs se enfrentam antes do jantar e, oiço dizer, revelam enormes talentos de que a Pátria se pode orgulhar, sobretudo quando a discussão versa os costumes.

Podemos, pois, ficar descansados. Parafraseando um conhecido especialista de obras públicas, quem se mete com a República leva. E se leva!




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