Mais um golpe na Venezuela: militar para o regime, de teatro para a oposição

Um ex-militar parece estar envolvido numa tentativa de golpe de Estado, mas a oposição tem muitas dúvidas sobre o que poderá ter-se passado num quartel em Valência, a terceira maior cidade do país.

Um ex-capitão da Guarda Nacional venezuelana, Juan Carlos Caguaripano Scott, procurado há três anos por traição, parece ter levado a efeito uma tentativa de golpe de Estado no domingo (segunda-feira em Portugal), tendo atacado, com um grupo de cerca de 20 homens, a base militar de Paramacay, em Valência, terceira maior cidade do país.

Antes da tentativa de golpe, Caguaripano divulgou um vídeo ma Internet, onde surgia à frente dos homens que iriam desencadear a ofensiva militar, para explicar que o que iria acontecer não se tratava de um golpe militar, mas sim de uma ação para restabelecer a ordem constitucional, que a eleição da assembleia constituinte em 30 de julho passado veio colocar em causa.

O regime de Nicolás Maduro geriu do assunto como se se tratasse de facto de uma tentativa de golpe militar: o presidente surgiu nas televisões a culpar os implicados de ligação aos inimigos externos do país e pediu a pena máxima para os que tentaram alterar a ordem institucional.

Quem não se deixou convencer foi a oposição, que está a tratar o assunto como se estivesse perante um ensaio muito duvidoso. Em comunicado oficial da Mesa de Unidade Democrática (MUD), o partido pede esclarecimentos adicionais sobre o que se passou no quartel de Paramacay. “Sabemos que tanto Nicolás Maduro coimo o seu governo nunca dizem a verdade, mas é nosso dever insistir na exigência de uma explicação sobre o acontecimento, sem as manipulações e os cálculos obscuros que caracterizam o regime”, pode ler-se no comunicado.

Julio Borges, presidente do parlamento e membro da MUD, disse, por seu turno, que era preciso esclarecer o que se passou, parecendo colocar em dúvida que a ação pudesse ser apelidada de golpe de Estado. A oposição teme que este tipo de ações – tal como a que sucedeu com um helicóptero no final de junho passado, protagonizado por Óscar Pérez (na foto) – só sirvam para manter o exército ‘entretido’ com eventuais traições e se mantenha acantonado nos quartéis.

Mesmo assim, a MUD não deixou de falar de “divisão” e de “quebra institucional nas forças armadas da Venezuela” perante mais um estranho caso a envolver militares.

Como resultado da operação, dois dos implicados no golpe foram mortos, oito foram feitos prisioneiros e os restantes – aparentemente Caguaripano incluído – conseguiram escapar, estando o exército a desenvolver todos os esforços para o capturar.



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