Mais da metade dos europeus confiam nos novos partidos

A um ano das eleições europeias, o Eurobarómetro revela que os partidos tradicionais já não são o que eram. E que o sentimento anti-europeu não é, apesar de tudo, tão intenso como se podia imaginar. Menos em Itália.

REUTERS/Vincent Kessler

Mais da metade dos europeus (56%) confia nos novos partidos que foram surgindo um pouco em todos os Estados-membros nos últimos anos, em detrimento das forças tradicionais, segundo avança um estudo do Eurobarómetro sobre o Parlamento Europeu. Metade dos europeus nega que os novos partidos – e principalmente o fim do bipartidarismo, que aconteceu em vários países – ameacem a democracia.

Em 2013 existiam apenas duas novas formações com representação nos parlamentos nacionais; atualmente existem 43. Sob este rótulo, o Eurobarómetro inclui forças mais disruptivas, como o Movimento das Cinco Estrelas, em Itália, mas também outras que abraçam os valores europeus, como La République em Marche do presidente francês Emmanuel Macron.

Ora, 70% dos entrevistados admitem que “simplesmente estar contra algo não serve para melhorar nada”, segundo a declaração feita no estudo, mas mais de 50% estão confortáveis ​​com a ideia de que a “mudança real” é necessária e que novos partidos e novos políticos podem encontrar “melhores soluções”.

Embora algumas das forças inovadoras tenham uma clara ancoragem europeia, as instituições da União receiam um reforço das que questionam esse quadro – chegando mesmo, às vezes apenas sub-repticiamente, a lutar contra elas. “É possível que no próximo Parlamento Europeu haja mais forças eurocéticas, tanto à direita como à esquerda, o que não é bom para a Europa”, afirmou o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, ao apresentar esses resultados, citado por várias agências noticiosas. Atualmente, cerca de 25% dos eurodeputados defendem um discurso eurocético – mas nem todos no mesmo sentido ou com o mesmo grau de empenhamento.

As diferenças da nova política entre os diferentes parceiros europeus também são sentidas nas respostas. Na Alemanha, onde o grande partido recém-criado é a Alternativa para a Alemanha (de extrema-direita, pró-nazi), o sentimento de risco para a democracia é o mais pronunciado da família europeia (53% dos entrevistados). Pelo contrário, na Grécia (com o Syriza como exemplo) e na Espanha (com o Podemos e o Ciudadanos) 66% dos cidadãos rejeitam que os novos partidos constituam uma ameaça.

Entre 23 e 26 de maio de 2019, a União terá eleições para o novo Parlamento: “serão uma batalha, não entre os partidos tradicionais e os novos, mas entre aqueles que querem continuar a integração europeia e os que não o fazem”, disse Tajani.

A Itália, à beira de constituir o primeiro governo populista da velha Europa, tem os níveis mais baixos do europeísmo no bloco da comunidade: apenas 44% dos seus cidadãos consideram que a sua pertença à UE os beneficiou. O resultado é ainda pior que o do Reino Unido, que votou em um referendo para deixar a UE. Apesar de tudo, o equilíbrio geral de satisfação no bloco da UE é muito maior do que o caso italiano. Uma média de 67% considera a UE é benéfica para o seu país.

Quase metade dos entrevistados vêm a luta contra o terrorismo, o desemprego juvenil e a imigração como elementos-chave. Em todos estes capítulos, a maioria dos cidadãos pede mais envolvimento das instituições europeias.

O estudo foi feito com base em 27.601 entrevistas dos 28 países da União Europeia, entre 11 e 22 de abril passado.




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