Macron com maioria absoluta, mas não muito

O novo parlamento francês vai manter algum colorido: o En Marche não será tão hegemónico como faziam prever as sondagens.

Emmanuel Macron, head of the political movement En Marche !, or Onwards !, and candidate for the 2017 French presidential election, waves hand during in the first round of 2017 French presidential election at a polling station in Le Touquet, northern France, April 23, 2017. REUTERS/Benoit Tessier

As sondagens indicavam que o partido de Emmanuel Macron, o Republicains En Marche, podia a partir de hoje contar com cerca de 75% dos lugares da assembleia da República francesa, mas na melhor das hipóteses ficará com 62% – ou seja, com 365 lugares em 577, na melhor das hipóteses, segundo avançam os ‘media’ gauleses.

De qualquer modo, Macron não terá qualquer dificuldade – a não ser que o seu próprio partido assuma reservas face a algum dossier, como aconteceu ao seu antecessor, François Hollande – em ver os parlamentares do seu lado quando tiver de impor a agenda interna que tem em mãos. A primeira prova de fogo não demorará: as leis do Trabalho estão em ‘stand by’ para serem reformuladas e aí se verá se a verdadeira oposição a Macron – os sindicatos – terão ou não força suficiente para bloquearem as suas decisões. Em grande parte, foi isso que aconteceu a Hollande, precisamente por causa das leis do Trabalho: a sua alteração no sentido de uma maior flexibilidade – afinal, aquilo que a Comissão Europeia e principalmente a Zona Euro quer – atirou o país para uma onda de contestação que ajudou a que o presidente desistisse (se é que não tinha já desistido) de se apresentar a um segundo mandato.

As restantes forças políticas estiveram ontem dentro dos parâmetros do que era esperado. Mas vale a pena salientar que o Partido Socialista francês acabou por não cumprir a hecatombe que as sondagens previam. E os 49 lugares com que deverá contar permitem-lhe ser a terceira força no hemiciclo.

O Les Repubcains, de Salkozy e de François Fillon também resistiram melhor que aquilo que as sondagens previam: deverão atingir os 125 a 133 lugares – o que é bem melhor que os menos de 100 que alguns indicadores afirmavam como possível.

Menos bem parece estar o La France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon – não deverá ir acima dos 29 lugares, na melhor das hipóteses – que voltou a não conseguir transferir para as lergislativas o bom resultado que alcançou na primeira volta das presidenciais.

Fenómeno idêntico fez-se sentir sobre a Frente Nacional de Marine Le Pen – que devera conseguir entre seis e oito deputados, depois de, nas presidenciais, só ter sido batida à segunda volta. Mas o partido de extrema-direita continua a ter uma representação que, no quadro legal das eleições legislativas francesas, não o favorece – como acontece aliás com todas as formações políticas de pequena dimensão.

Mais uma vez os franceses não foram sensíveis aos argumentos de que deviam ir votar nas eleições de ontem. Se na semana passada os 51% de abstenções já tinham espantado – principalmente os observadores externos – os 56% de ontem são ainda mais ‘escandalosos’. O que, desde logo, dá um argumento à oposição: que legitimidade emana dessa enorme massa de abstencionistas em relação à agenda do presidente?



Mais notícias