InícioEmpresasBanca e SegurosLone Star quer preservar a relação do Novo Banco com a economia

Lone Star quer preservar a relação do Novo Banco com a economia

A garantia dos activos do 'side bank' ajuda aos rácios de capital do Novo Banco. Lone Star recusa ser apelidado de fundo abutre, porque ao contrário do que esse conceito encerra, ressuscita empresas.

john_grayken

O Lone Star está empenhado em “preservar a relação do banco com a economia”, disse hoje fonte próxima do fundo norte-americano que está em negociações mais avançadas para comprar o Novo Banco.

Recusando qualquer estratégia para desmantelar o Novo Banco, o Lone Star dá os exemplos de dois bancos alemães onde entrou para rentabilizar. Um deles, passado oito anos foi vendido e outro, também após oito anos continua a ser detido e gerido pelo fundo norte-americano, trata-se do Corealcredit e o IKB.

Fonte do Lone Star, diz que o “termo abutre [que tem sido usado para o definir] é totalmente errado porque os abutres alimentam-se de seres mortos. Nós trazemos as coisas de volta à vida”.

A vantagem de um fundo com as características do Lone Star na atividade de rentabilização de um instituição financeira está ligada à capacidade de injeção de capital, adiantou.

Sobre a garantia de Estado, que tem sido comentada pelos jornais e que terá sido à priori recusada pelo Ministério das Finanças que recusa o uso de dinheiro dos contribuintes para uma operação privada, fonte próxima do Lone Star explica que até hoje todas as operações de compra que o fundo fez foram com um mecanismo de garantia estatal. No caso do Corealcredit e do IKB, essa garantia nunca foi executada, e se nalguma das sua aquisições ao longo da vida da Lone Star (nasceu em 1995) foi executada ela foi totalmente reembolsada ao prestador da garantia.

A garantia dos activos do side bank ajuda aos rácios de capital do Novo Banco, porque torna menos agressiva a constituição de imparidades.

Os ativos que estão no side bank – nomeadamente os imobiliários – valerão menos do que o que está no balanço, mas existem colaterais para os garantir. É preciso avaliar os colaterais e o gap entre o valor da garantia e o valor do activo (crédito) é que necessita de ser garantido (back-stop), o valor da garantia (que os jornais têm falado em 2,5 mil milhões de euros) não é confirmado pelo Lone Star, que estranha a origem dessa informação, apesar de não poder falar da proposta concreta porque está abrangido pelo dever de sigilo.

No entanto a indignação face ao valor da garantia alegadamente exigida pelo candidato faz antever que esta será em valor significativamente inferior. Ao que tudo indica o Lone Star requer uma back-stop facility ao Fundo de Resolução que como faz parte das entidades reclassificadas no perímetro da Administração Pública a perda, se efectiva, é contabilizada nas contas públicas (em défice).  Daí que Mário Centeno tenha vindo afirmar que não está disposto a vender o banco com garantias do Estado.

O Lone Star está disponível para chegar a um compromisso sobre a questão decisiva da garantia pública sobre o valor dos ativos do banco. Diz que “o importante é encontrar uma solução que funcione”, diz fonte próxima do Lone Star.

“Sempre fomos criativos” a encontrar soluções, diz o Lone Star. E esta criatividade também se pode aplicar no processo de venda do Novo Banco.

 

  • Trumputin.

    Que bem que cantam os abutres !

  • Dezuito!

    Vejam o registo histórico destes especuladores e acabam-se logo as negociaçoes do NB. O país só tem a perder com estes tipos destes fundos que mais nao fazem que é deixar atrás de si um rasto de destruiçao para maximizarem lucros.

  • Mohamed Feinz

    vão prolongar a relação com a Economia….. No final pagamos nós mais uma nacionalização…….

  • Monhé

    O que está aqui escrito, que passe a contrato. Não tenho problemas, só quero uma clausula adicional, uma garantia do Lone Star sobre o estado português, trocámos, eles fod… nós fud….

  • ANONIMO

    As 3 opções possíveis, embora a 1ª, apesar de prevista na lei, nunca devesse ter estado sequer em cima da mesa para um banco desta dimensão (com risco sistémico):

    1– Liquidar = perdas de todos os depositantes acima de 100 mil €uros, colapso da economia, disparar do défice e da dívida pública só para assegurar os depósitos até 100 mil €uros.

    2– Neoliberal RADICAL = privatizar só porque sim, mesmo que o estado perca rios de dinheiro a dar garantias para que os privados tenham lucro assegurado, pago com dinheiro dos contribuintes. É o que a Lone Star quer. Até salivam…

    3– Bom senso = manter o banco nacionalizado até a reestruturação o fazer voltar aos lucros e só vender se e quando o estado recuperar tudo o que lá investiu desde 2014: são 3.9 mM€ + juros, fora os mM€ de perdas dos investidores…