Libra toca em máximo de um ano com a aceleração da inflação

A inflação de agosto superou as estimativas, impulsionou a moeda britânica e a expectativa sobre uma subida nas taxas de juro este ano. A probabilidade de um aumento já na reunião do Banco de Inglaterra desta quinta-feira é, no entanto, vista como limitada.

Jason Alden/Bloomberg

A libra esterlina atingiu máximos de um ano face ao dólar esta terça-feira, impulsionada pela aceleração da inflação em agosto e pela crescente expectativa que o Banco de Inglaterra irá aumentar as taxas de juros nos próximos meses.

A moeda britânica aprecia-se 0,89% para os 1,3277 dólares, tendo chegado a tocar nos 1,3288 dólares, um valor tocado pela última vez a 13 de setembro do ano passado.

Segundo dados publicados pelo Office of National Statistics esta terça-feira, a inflação no Reino Unido acelerou para 2,9%, em termos homólogos em agosto, face aos 2,6% registados em julho. O aumento dos preços superou uma estimativa média de 2,8% numa sondagem de economistas divulgada pela Bloomberg.

A agência refere que os mercados estão agora a atribuir uma probabilidade de um em três a um aumento da taxa de juro referência até ao final deste ano, face a uma probablidade de um em cinco há apenas uma semana. Essa taxa está num mínimo histórico de 0,25% desde agosto do ano passado, quando o banco central  o cortou o custo do financiamento à economia para precaver os choques causados pela decisão dos britânicos, em junho desse ano, de abandonar a União Europeia.

“Os dados da inflação vieram salientar o facto que o Banco de Inglaterra está a dirigir-se gradualmente em direção a um aumento das taxas,” disse Lee Hardman, estrategista de câmbio na MUFG, à Reuters.

“Eles [os decisores do Banco de Inglaterra] já sinalizaram de forma clara no passado que têm muito pouca tolerância para surpresas em relação ao acelerar da inflação e, nessa perspectiva, os dados de hoje não serão benvindos”.

A incerteza sobre o Brexit e a consequente desaceleração económica (a previsão de crescimento este trimestre é de apenas 0,3%)  e desvalorização da libra (que desceu 11% desde o referendo de junho de 2016) têm forçado o Governador Mark Carney e o os seus aliados a demonstrarem cautela antes de arriscarem subir a taxa de referência dos atuais 0,25%.

A inflação de agosto poderá alterar os planos do banco central, mas segundo dados do mercado de futuros citados pela Bloomberg o anúncio de uma subida nas taxas na reunião do Comité de Política Monetária esta quinta-feira é de apenas 7%. Os analistas referem, no entanto, que irão estar atentos aos comentários de Carney quer sobre a inflação quer sobre a libra.





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