Para ler ou reler: 5 autores que foram refugiados nos EUA

Thomas Mann, Berlot Brecht, Vladimir Nabokov, Hannah Arendt e Henry Kissinger, para ler ou reler.

Nos Estados Unidos agudiza-se a polémica com a ordem executiva de Donald Trump de restrição aos refugiados. O Jornal Económico deixa-lhe cinco sugestões de leitura de escritores clássicos que foram refugiados nos EUA.

Thomas Mann – “Doutor Fausto”. Editora: Dom Quixote

A obra mais conhecida do escritor alemão, que obteve nacionalidade norte-americana em 1944, é a “Montanha Mágica”, mas “Doutor Fausto”, escrita originalmente em 1947, é leitura obrigatória. O autor refugiou-se nos EUA em 1938, só regressando à Europa em 1952, período durante o qual escreveu esta obra-prima. Posterior à atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1929, “Doutor Fausto” é uma simbiose perfeita entre a atmosfera musical e política. Mann parte da lenda popular alemã de Fausto – que faz um pacto com o demónio – para construir Adrian Leverkühn, um músico que vende a alma em troca de vinte e quatro anos de genialidade. A história de Leverkühn permite atravessar a primeira metade do século XX na Alemanha, com a ascensão e queda do regime nazi.

 

Berlot Brecht – “Berlot Brecht : Teatro 1: “Baal”; “Tambores na noite”; “A boda”; “O mendigo ou O cão morto”; “Expulsando um demónio”; “Lux in Tenebris”; “A pesca”; “Na selva das cidades”. Editora: Cotovia

“G: Mas o que é que quer de mim? Não o conheço. Nunca o vi.
S: Dou-lhe quarenta dólares pela sua opinião sobre este livro que eu não conheço, nem me interessa conhecer.
G: Eu vendo-lhe as opiniões do Mr. V. Jensen e do Mr. Arthur Rimbaud, mas não lhe vendo a minha opinião”.

O diálogo entre Garga e Skinny faz parte da peça “Na Selva das Cidades”, que integra o primeiro livro da coleção editada pela Cotovia, reunindo a obra de Brecht. Num retrato sarcástico de Chicago entre 1912 e 1915, o dramaturgo alemão apresenta o ambiente desumano da grande cidade que George Carga e a família enfrentam ao abandonarem o campo em busca de melhores condições de vida. A peça estreou em Portugal em 1999 no palco da Comuna pela mão de Jorge Silva Melo. Mas há mais para descobrir neste livro. O teatro de Brecht debruça-se sobre acontecimentos sociais, com a intenção de levar o espetador a refletir. O autor foi refugiado nos EUA, onde chegou em 1941 e viveu até 1947. Retornou a Berlim em 1948 onde fundou a companhia Berliner Ensemble.

Vladimir Nabokov – “Lolita”. Editora: Relógio d’Água

Romance incontornável na literatura do século XX, “Lolita” é a obra indissociável de Nabokov. O autor russo viveu com a família em vários países europeus, antes da fuga para os Estados Unidos em 1940. O polémico romance é protagonizado por Humbert Humbert, obcecado por uma jovem de 12 anos, a quem chama Lolita. Polémico, continua a figurar na secção de Clássicos das editoras.

Hannah Arendt – “As Origens do Totalitarismo”. Editora: Dom Quixote

Um clássico para ler ou reler, de uma das mais influentes filósofas da história. Hannah Arendt fugiu para os EUA em 1941, onde trabalhou com diversas editoras e organizações judaicas. Em 1951 adquiriu nacionalidade norte-americana, ano em que também publicou “As Origens do Totalitarismo”. A Alemanha nazi e a Rússia estalinista são objeto de análise pela autora, que sustenta as origens do totalitarismo na manipulação das massas, banalização do terror e propaganda e destaca o estado de isolamento dos indivíduos como fator determinante para o domínio deste poder.

Henry Kissinger – “Diplomacia”. Editora: Gradiva

O Secretário de Estado mais famoso dos EUA – corresponde à figura de Ministro dos Negócios Estrangeiros em Portugal- refugiou-se nos EUA em 1938, com a fuga da família da Alemanha. Em 1943 obteve a cidadania norte-americana e daí para a frente a história é conhecida. O defensor da famosa “teoria da vacina” para o pós-25 de abril em Portugal, escreveu um verdadeiro clássico das relações internacionais. “Diplomacia” é preenchido com pormenores das negociações em que Kissinger participou e é leitura obrigatória para compreender a política internacional.

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