Le Pen radicaliza discurso contra emigrantes a dias das eleições

Os mercados estão expectantes sobre o resultado da primeira volta de domingo e a incerteza está a ter consequências nos juros da dívida francesa. A diferença face à alemã atingiu máximos de 2012.

REUTERS/Stephane Mahe

A candidata de extrema-direita às eleições presidenciais em França procura unir os apoiantes a menos de uma semana da votação. Marine Le Pen afirmou que as primeiras medidas que vai tomar se se tornar presidente é suspender a emigração, fechar as fronteiras e proteger os franceses da “globalização selvagem”.

“Vou proteger-vos. A minha primeira medida como presidente será fechar as fronteiras francesas”, disse a líder da Frente Nacional, enquanto cinco mil apoiantes cantavam o hino do partido “Esta é a nossa casa!”, de acordo com a agência Reuters. Le Pen argumentou que é uma patriota, ao contrário dos outros candidatos, que diz defenderem uma globalização selvagem.

“A escolha no domingo é simples”, continuou. “É uma escolha entre uma França que está a renascer ou uma França que está a afundar”.

Yield nervosa

O nervosismo está a contagiar os mercados e a refletir-se  na dívida pública francesa. A yield das obrigações francesas benchmark, ou seja, a 10 anos, aumentaram para 0,92%, o valor mais alto desde fevereiro. A diferença face à taxa das obrigações alemãs aumentou para um máximo desde 2012, quando a Europa enfrentava a crise da dívida soberana.

Segundo as últimas sondagens, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen conta com 22 a 23% das intenções, quase empatada com o centrista Emmanuel Macron, que tem 24%, nas intenções de voto para a primeira volta das eleições, domingo, e poderão defrontar-se na segunda volta a 7 de maio. Nesse cenário, segundo a mesma sondagem, o centrista deverá vencer com 65% dos votos, contra 35% para a extremista de direita.

No entanto, o candidato comunista Jean-Luc Mélenchon e o conservador François Fillon não estão excluídos, ambos com 18% a 20% das intenções de voto. Tal como Le Pen, Mélenchon também defende um referendo sobre a saída de França da União Europeia e da moeda única. Havendo dois candidatos, mesmo que de espectros políticos opostos, com a mesma intenção tem aumentado a incerteza em relação aos resultados das eleições nas últimas semanas.

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