Jerónimo de Sousa critica “obsessão pelo défice” e sublinha que “o Governo é do PS e só do PS”

O secretário-geral dos comunistas traçou uma fronteira clara entre o PCP e o Governo do PS. "Não é por acaso que PSD, CDS e os setores ligados à política revanchista de exploração e do empobrecimento fazem do PCP o seu inimigo principal e o principal alvo dos seus ataques furiosos," afirmou.

O secretário-geral do PCP criticou hoje “a política de obsessão pelo défice,” considerando que é a “dívida insustentável que impede o investimento, consome recursos e riquezas nacionais.” Para Jerónimo de Sousa, “persistem as ameaças sobre as taxas de juro da dívida pública. Persiste um baixo nível do investimento com graves reflexos no desenvolvimento do país e num quadro agravado de sistemática pressão e exigência da União Europeia de maior consolidação orçamental. Ameaças, pressões e exigências que revelam a impossibilidade de defender os interesses de Portugal sem enfrentar a questão da dívida e da submissão ao euro,” afirmou esta tarde, no Porto, no comício comemorativo do 96.º aniversário do PCP.

Segundo Jerónimo de Sousa, “falam repetidamente no défice como se fosse esse o grande problema nacional e para colocar na sombra os problemas centrais do país”, mas “é a dívida insustentável que impede o investimento, consome recursos e riquezas nacionais e o insuficiente crescimento económico que é cada vez mais incompatível com uma política de obsessão pelo défice.” O líder do PCP sublinhou que “na realidade, o crescimento económico e o aumento do emprego podia ser outro se a política de redução do défice a todo o custo, a reboque de imposições externas e até para lá delas, não implicasse a forte redução do investimento como há muito temos visto”.

No seu discurso, Jerónimo de Sousa insistiu que Portugal necessita “de uma política patriótica e de esquerda”, que consiga romper “com as receitas e caminhos que afundaram o país e com uma visão e objetivos opostos que conduziram Portugal ao declínio e empobrecimento.” O líder do PCP referiu também que “muitos dos avanços conseguidos,” que “estão para além do que o programa do PS admitia,” devem-se ao PCP e ao PEV que, “com o seu peso, têm condicionado as opções políticas”, mas defendeu que “é preciso, para além da ampliação da luta, dar mais força” ao PCP.

“E isso é uma evidência que está bem patente na resistência a que assistimos por parte do Governo do PS e nas opções políticas que tem tomado, sem desmerecimento do conjunto de medidas positivas tomadas, nomeadamente quando se inviabiliza alterar o Código de Trabalho e a legislação laboral da administração pública, extinguindo normas impostas pelo anterior governo e lesivas dos direitos dos trabalhadores. Quando se aceita como uma boa solução, por exemplo, a renovação de PPP  na saúde ou a opção de entrega, no imediato, ou a prazo, do Novo Banco ao grande capital,” destacou.

Na perspetiva do secretário-geral do PCP, “não é por acaso que PSD, CDS e os setores ligados à política revanchista de exploração e do empobrecimento fazem do PCP o seu inimigo principal e o principal alvo dos seus ataques furiosos.” Mais, “eles sabem que o Governo é do PS e só do PS com a sua política, que não há Governo de esquerda, nem qualquer outro acordo de incidência parlamentar que seja suporte do Governo. Há sim uma posição conjunta que define o compromisso de repor direitos e rendimentos esbulhados e dar resposta a problemas urgentes dos trabalhadores, do povo e do país, mantendo o PCP a sua independência,” vincou.

O PCP “não transigirá perante a política de direita, tal como não contribuirá para instalar ambientes de apatia e conformismo que limitem o papel insubstituível da luta dos trabalhadores e do povo”, acrescentou Jerónimo de Sousa. E disse que é com o objetivo de afirmar a sua “política necessária e imprescindível” que o PCP arrancou na semana passada com a campanha nacional “Produção, emprego, soberania, Libertar Portugal da submissão ao Euro.” Uma campanha que sublinhará “a importância da libertação do país da submissão ao euro, associada à regeneração da dívida e à recuperação do controlo público da banca para enfrentar os constrangimentos externos, recuperar a soberania monetária e orçamental, libertar recursos para o investimento público, melhorar os serviços públicos e reforçar as funções sociais do Estado.”

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