Isto é o que pode acontecer à libra após o Brexit

É unânime que os mercados não vão ficar indiferentes à ativação do Artigo 50 mas os analistas de divisas acreditam que esse momento tão decisivo terá um impacto modesto. Eis os cenários que se colocam, de acordo com o jornal Expansiòn.

Jason Alden/Bloomberg

Nas várias escalas que nos encaminham rumo ao Brexit, a ativação do Artigo 50, o mecanismo que dá o ‘tiro de partida’ para os dois anos que vão anteceder a saída do Reino Unido da União Europeia, faz parte do calendários do observadores da libra esterlina desde o referendo de 23 de junho.

Reação dos investidores ao Brexit

Os investidores tentaram entender por todos os meios as conotações políticas e económicas do Brexit desde o referendo. Uma forte desvalorização nos dias posteriores à votação deu corpo às previsões pessimistas para a libra. Ocasionalmente, a política do Governo em relação ao Brexit, sobretudo a confusa estratégia de comunicação, provocou o desconcerto entre os investidores e à desvalorização da moeda do Reino Unido.
No entanto, a resistência da economia e o discurso mais coerente de Theresa May sobre o Brexit em meados de janeiro, em Lancaster House, manteve a libra esterlina acima da valorização de 1,20 dólares, máximos de janeiro. Por outro lado, as dificuldades legais do Governo, que em determinada altura colocou em causa o calendário para o Brexit, caíram com a ida do Artigo 50 ao Parlamento.
“A conclusão é que, ainda que o Governo britânico tenha de escalar uma enorme montanha nas negociações do Brexit, poderá superar as piores previsões com uma certa comodidade”, explica Steven Barrow de Standard Bank.

Que vai acontecer à libra quando for ativo o Artigo 50?

Durante muito tempo foi considerado como provável que este momento provoque movimentos significativos nos mercados mas os analistas de divisas acreditam agora que esse momento terá um impacto modesto na libra. De facto, a moeda começou a semana a subir acima de 1,22 dólares e também valorizou 0,5% face ao Euro, até 0,8735 libras. Isto deve-se em parte ao facto dos investidores terem deixado de ser “negacionistas” do Brexit e a ter em conta a realidade do divórcio inevitável.
Estrategistas da Morgan Stanley defendem que o valor da moeda já reflecte o grau de incerteza e a activação do artigo não vai ter grande impacto”, no entanto essa activação do artigo 50º não passa despercebida aos investidores, e pode mesmo originar novos episódios de fraqueza.
Importa agora a resposta da União Europeia após o anúncio e o que se avança acerca do processo de saída.

Que vai acontecer à libra quando começarem as negociações da saída?

A libra está desvalorizada, o que é normal, considerando o estado da economia britânica, que se espera crescer em 2% este ano. Apesar desta questão representar oportunidade de compra para alguns, há uma série de fatores mais relevantes para os investidores do que a tal activação formal do artigo que separa o Reino Unido da União Europeia.
Nos factores incluem-se o peso que a queda da libra terá no sector empresarial britânico, o risco que o Brexit representa no investimento interno, a relação entre May e os outros líderes na fase pré-negociações e as eleições presidenciais francesas. Ainda importa ter em conta a provável subida das taxas norte-americanas.
Segundo a Société Générale, a libra permanece fraca, embora a volatilidade implícita contra o dólar tenha caído, o que pode mudar se a moeda britânica quebrar a barreira do 1,20 dólares.

Para que valor é direcionada a libra?

O problema dos investidores está em entender como lidar com o progresso dos dois anos de negociações em torno do Brexit.
Até os analistas se mostram relutantes em fazer previsões no que respeita à libra esterlina.
“Quanto mais se prolonga a incerteza sobre a futura relação comercial entre o Reino Unido e a UE, mais tempo durarão as pressões sobre o investimento, o crescimento do emprego e a inflação”, disse Jane Foley do Rabobank.
É mais provável que a trajetória da libra seja influenciada por eventos que ocorrem em outros países, por exemplo, a depreciação em relação ao euro nos próximos meses, de acordo com Foley, se a economia da zona euro continuar a reforçar, se Marine Le Pen perder as eleições presidenciais francesas e o Banco Central Europeu adoptar uma posição menos flexível.



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