Isabel dos Santos: “Há muito preconceito sobre as minhas origens, tenho um percurso inesperado”

Em entrevista à BBC News, a empresária afirma que ser filha do presidente angolano trouxe vantagens como uma boa educação, mas também preconceito pois as pessoas acham que essas vantagens foram obtidas de forma injusta ou por favor.

A presidente da Sonangol, Isabel dos Santos, acredita que o facto de ser filha do chefe de estado angolano José Eduardo dos Santos trouxe vantagens, mas também preconceito.

Em entrevista ao jornalista Paul Bakibinga, da BBC, Isabel dos Santos respondeu: “Não há dúvida, há muito preconceito sobre isso, tenho um percurso inesperado”. Questionada sobre se esse background não trouxe também vantagens, disse que “sim, há privilégio, os dois, privilégio e preconceito”.

“Sou privilegiada no sentido em que tive uma boa educação, no sentido em que pude ver o mundo, sou uma pessoa muito exposta, eu posso interagir com pessoas de todos os espectros da vida. E penso que é só isso, penso que misturar isso com preconceito e a sensação [que algumas pessoas têm] que essas vantagens foram algo injustas ou obtidas através de favor, acho que isso é preconceito”, explicou.

A filha mais velha do presidente angolano é CEO da petrolifera estatal Sonangol desde junho do ano passado. Como empresária, tem participações importantes em empresas como a telecom NOS e os bancos BIC e BFA. Segundo um ranking da revista americana Forbes publicada em março, a empresária tem a nona maior fortuna em África, avaliada em 3,1 mil milhões de dólares.

Isabel dos Santos respondeu ainda sobre os desafios que enfrenta como empresária em Angola. “Ser mulher, ser jovem, ser negra, isso são todos desafios, não há dúvida”. Explicou que, no entanto, não é só uma questão angolana ou africana, pois questões de género são globais. “Eu encorajo as raparigas a lutarem, a terem uma educação, têm de ser ambiciosas e também ter confiança”.

Questionada se luta contra a discriminação de género, explicou: “Sim, acho que é muito importante agirmos”. Acrescentou que “temos de desenvolver políticas dentro das nossas empresas segundo as quais tratamos as mulheres e os homens de forma igual, especialmente em termos de salários, isso é chave”.

Explicou ainda que “quando estamos a avaliar as mulheres, os departamentos de recursos humanos têm de ter uma visão justa, sem discriminar contras as mulheres”. A empresário vincou que é igualmente importante que as políticas dos governos têm de garantir uma percentagem de lugares para as mulheres, seja no parlamento ou em postos governamentais”.

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