Irão deve rejeitar proposta da Arábia de reduzir produção de petróleo

Tensões políticas entre as duas potências do Médio Oriente inviabilizam acordo na reunião informal da OPEP que decorre na Argélia.

O Irão não deverá aceitar a proposta da Arábia Saudita de reduzir a produção de petróleo. A reunião dos membros da OPEP e Rússia, que não integra o grupo, decorre na Argélia, e os países participantes têm como objetivo pôr termo à maior descida do preço do ouro negro dos últimos 30 anos

A Reuters noticiou na semana passada que a Arábia Saudita estaria disponível para efetuar um corte de produção se o Irão também aceitasse congelar a sua produção, o que representa uma mudança na posição de Riad, já que os sauditas têm-se recusado a discutir cortes. “Se todos os membros da OPEP estiverem de acordo, penso que há alta probabilidade de conseguir o apoio de outros, especialmente da Rússia”, disse à Reuters o ministro de Energia dos Emirados Árabes, Suhail bin Mohammed al-Mazroui.

Mas o ministro iraniano do petróleo, Bijan Namdar Zangeneh, diminuiu as expetativas em relação a um possível acordo de congelar ou reduzir a produção. “Esta reunião informal da OPEP é apenas consultiva e não se deve esperar nada mais do que isso”, afirmou Bijan Zangeneh. O Irão já se tinha mostrado indisponível para diminuir a produção de petróleo enquanto não tivesse uma quota de 13% da produção do cartel.

Analistas, consideram que a intransigência seguida pelos iranianos reflete a visão de que o Irão está numa melhor situação para aguentar os preços baixos do petróleo do que os Sauditas.

A economia da Arábia Saudita tem vindo a deteriorar-se e recentemente foi apresentado um défice orçamental recorde de cerca de 100 biliões de dólares. Numa tentativa de reduzir o défice, o governo anunciou nesta segunda-feira um corte de 20% nos salários dos ministros, assim como uma redução no bónus dos funcionários públicos.

Por sua vez, o Irão, desde que a comunidade internacional levantou as sanções, tem visto a sua economia a crescer por via do aumento das exportações e do investimento.

A reunião ocorre num momento crucial para definir o futuro do preço da matéria-prima. Os preços do petróleo caíram mais de 50%, face aos níveis de 2014 devido ao excesso de oferta e ao abrandamento económico global, em particular da China. Os países exportadores de petróleo procuram um reequilíbrio dos preços, que possa elevar as receitas com exportações e ajudar a recuperar os orçamentos nacionais.

Nos mercados, o preço do barril de Brent sobe 0,54% para 46,77 dólares, e o barril de crude transaciona a 44,87 dólares (+0,45%).



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