Inspeção automóvel antevê ano sombrio, com mais custos e sem motociclos

“Assiste-se a uma diminuição do trabalho nos centros de inspecção, o que, conjugado com investimentos ‘improdutivos’ cujo retorno é nulo, torna difícil a sua sustentabilidade económica”, diz o presidente da APIA - Associação Portuguesa de Inspecção de Automóveis, Paulo Noguês, ao Jornal Económico.

Cristina Bernardo

Os responsáveis pelas empresas de inspecção automóvel consideram que este ano vai ser difícil para o setor, devido ao aumento dos custos à quebra do mercado e aos investimentos feitos na adaptação dos centros à inspecção de motociclos, que ainda não existe.

Em declarações ao Jornal Económico, o presidente da APIA – Associação Portuguesa de Inspecção de Automóveis classifica as expectativas para este ano como “sombrias”.

“Assiste-se a uma diminuição do trabalho nos centros de inspecção, o que, conjugado com investimentos ‘improdutivos’ cujo retorno é nulo, torna difícil a sua sustentabilidade económica”, diz Paulo Noguês, acrescentando que o triplicar das taxas a pagar pelas empresas Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) se refletiu na margem do negócio, não se repercutindo no preço da inspecção.

No caso da APIA, o investimento feito nas linhas para motociclos supera 8,5 milhões de euros e os centros encontram-se adaptados “há cerca de um ano”.

Paulo Noguês tece, também, críticas ao IMT pela sua atuação, “que não se tem pautado por um comportamento igualitário e equitativo na relação com todos os concessionários”, apontando que tem existido um comportamento que classifica como dupo: “O atual presidente, há pouco mais de um ano no cargo, está, a nosso ver, realmente preocupado com as possíveis desigualdades de tratamento dos concessionários”, enquanto “a estrutura intermédia, com muitos anos de atividade e com muita familiaridade em relação aos diversos investidores, acaba por tomar como seus os naturais conflitos concorrenciais existentes no mercado”.

Noguês garante que todos os membros da APIA sempre cumpriram a legislação e estão certificados, mas que, agora, atravessam dificuldades pela interpretação que o IMT faz da obrigatoriedade de adaptação à nova lei.

“A questão prende-se com as obras e equipamentos de adaptação desses centros de inspecção, previstas na Lei nº 11/2011”, refere Noguês, explicando que os associados da APIA, “por serem centros de inspecção aprovados há décadas e de acordo com a legislação anterior, não se encontram sujeitos ao mesmo regime legal de aprovação dos novos centros”, mas comprometeram-se “a efectuar obras de adaptação e de instalação de novas linhas de motociclos”.

“O IMT teve outra interpretação e partiu para uma decisão administrativa, claramente ilegal e desproporcionada”, de encerramento dos centros, acusa o presidente da APIA.

Em contraponto, diz Noguês, “um pouco por todo o país, pelo menos, cerca de 20 centros (10% dos centros existentes), trabalham ao arrepio do quadro legal e regulamentar”.

Em declarações ao Jornal Económico, o presidente da APIA diz, também, que setor da inspecção automóvel tem de se preparar para o futuro, “antecipando, por exemplo, a inspecção de automóveis eléctricos e mesmo de veículos sem condutor”, assim como responder a “novas necessidades, como o controlo da emissão de partículas”.

 

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