Inflação na zona euro confirmada em 1,5% com descida dos combustíveis

Os dados finais confirmam a estimativa rápida publicada pelo Eurostat na semana passada. O IPC desacelerou significativamente face aos 2% de fevereiro.

A inflação anual na zona euro desacelerou em março para 1,5%, segundo os dados finais do Índice de Preços no Consumidor (IPC), que confirmam a estimativa rápida publicada na semana passada. Os dados, divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, comparam com uma taxa de inflação de 2% em fevereiro.

O principal fator que contribuiu para a diferença foi a menor aceleração dos preços dos combustíveis, que aumentou 0,48 pontos percentuais. A inflação subjacente, excluindo energia, alimentos, álcool e tabaco, acelerou para 0,7% em março, contra 0,9% em relação ao mês anterior. No caso da União Europeia (UE), a inflação de março fixou-se em 1,6% em março, face aos 2% no mês anterior.

O economista sénior para assuntos europeus da Schroders, Azad Zangana, sublinha que esta é “uma queda muito maior do que o consenso das expetativas (1,8%)” e que “deve marcar o fim do recente aumento da pressão inflacionária, já que prevemos que a inflação desacelere ainda mais para 1% até o final deste ano”.

Entre os países da UE, a Roménia foi o que registou a taxa de inflação anual mais baixa (0,4%), seguida pela Irlanda e Holanda (ambos com 0,6%). Por outro lado, as taxas mais elevadas foram registadas na Letónia (3,3%), Lituânia e Estónia (3,0%), segundo o Eurostat.

Eram já conhecidos também os dados da inflação de março em Espanha e na Alemanha, que têm grande impacto no conjunto dos países da moeda única. Em Espanha, o IPC desacelerou pela primeira vez em quase um ano e fixou-se nos 2,1%, uma descida considerável em relação aos 3% de fevereiro.

Já na Alemanha, o IPC ficou nos 1,5%, depois dos 2% no mês anterior. Portugal também está a beneficiar da tendência impulsionada pela energia e a inflação no país desacelerou em março, para 1,4%.

O IPC tinha ultrapassado em fevereiro a meta do Banco Central Europeu (BCE) de uma inflação próxima, mas abaixo de 2%. Assim, os números de março significam uma inversão da tendência e um alívio para Mario Draghi, que tem dito que a trajetória da inflação é determinante para o ajustamento da política monetária da instituição.

Zangana acrescenta que a desaceleração acima do esperado vem acalmar os adeptos de uma política mais agressiva de alguns responsáveis do BCE. Draghi tem estado sob pressão para começar a alterar o rumo, mas tem defendido que ainda não chegou o momento certo e que a inflação subjacente se mantém controlada, sendo que esta passou para 0,7% em março, face aos 0,9% em fevereiro.

“A recente subida da inflação na zona euro foi sempre vista como um aumento temporário, mas com a taxa anual a subir acima do objectivo do Banco Central Europeu (BCE) de perto, mas abaixo de 2%, o tom do Conselho de Governadores começou a transitar para uma direção mais hawkish”, diz o economista. “No entanto, com uma provável tendência de desaceleração da inflação, os falcões do BCE devem recuar por algum tempo”.

O BCE entrou este mês numa nova fase do programa de estímulos, com uma diminuição do ritmo de compra de ativos para 60 mil milhões de euros por mês, dos anteriores 80 mil milhões. Este não é, no entanto, o início do fim. O banco central anunciou a descida no valor das compras em dezembro, acompanhado por um prolongamento do programa até dezembro deste ano.

A próxima reunião do Conselho de Governadores do BCE acontece a 27 de abril, em Frankfurt, altura em que se esperam novidades sobre o rumo da política monetária da instituição.





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