Infeções resistentes aos antibióticos são ameaça à economia global

Um estudo independente aponta para que a resistência microbiana teria um efeito devastador na economia global. Até 2050 o PIB global recuaria entre 2 a 3,5%, o que equivale a perdas entre os 60 e os 100 biliões de dólares (52 a 87 biliões de euros).

Damir Sagolj / Reuters

Por dia morrem em todo o mundo cerca de 1.900 pessoas com infeções resistentes a antibióticos. Contas feitas, são mais de 700.000 pessoas por ano e os especialistas acreditam que o número pode vir a aumentar para os 10 milhões nos próximos cinquenta anos. A concretizarem-se estas previsões, a resistência microbiana matará mais pessoas em todo o mundo do que o cancro e pode significar um tombo na economia de mais de 85 biliões de euros.

Segundo avança o jornal britânico ‘Financial Times’, um relatório encomendado pelo ex-primeiro-ministro britânico, David Cameron, a uma consultora independente examinou a forma como a economia global seria afetada caso não sejam encontradas soluções para lidar com a resistência de infeções aos antibióticos. As conclusões apontam para que até 2050 o PIB global recuaria entre 2 a 3,5%, o que equivale a perdas entre os 60 e os 100 biliões de dólares (52 a 87 biliões de euros).

Outro relatório do Banco Mundial converge também neste sentido, ao indicar que “no caso de uma resistência antimicrobiana baixa, os custos, implicados pela redução do PIB, serão um fardo significativo em termos globais, ao passo que num cenário de resistência antimicrobiana alta, os custos podem ser considerados igualmente graves, tendo em conta que os dispendiosos impactos permanecem”.

Com a descoberta da penicilina em 1928 e a sua introdução generalizada nas unidades de saúde, várias doenças anteriormente consideradas críticas e altamente contagiosas foram praticamente extintas, mas o modo como as infeções reagem aos antibióticos parece estar a mudar.

A resistência aos antibiótios mereceu a intenção dos líderes do G20, que numa reunião em maio concordaram com a intensificação das campanhas para informar os cidadãos para os riscos decorrentes da tomada excessiva de antibióticos. A OMS indica que em menos de 10 anos o consumo de antibiótico aumentou 30%, com os especialistas a alertarem que entrámos numa “era pós-antibiótica” em que infeções comuns que julgavamos extintas a matarem novamente.